“A enfermagem também precisa ser cuidada” – a importância da medicina do trabalho na saúde primária

Setor tem como objetivo zelar pela saúde física e mental de enfermeiros(as), técnicos(as) e auxiliares de enfermagem através da promoção e busca ativa da saúde 

Conhecida como a “profissão da empatia”, a enfermagem é responsável pelo cuidado de pacientes por meio da assistência direta ou indireta e está presente em todos os setores de um núcleo hospitalar. Com uma rotina de trabalho bastante dinâmica e, muitas vezes exaustiva (fisicamente e mentalmente), enfermeiros(as), técnicos(as) e auxiliares de enfermagem também precisam de cuidado e atenção.

A medicina do trabalho é um conjunto de práticas para a manutenção do ambiente profissional e atividades ocupacionais que tem como objetivo zelar pela saúde e integridade de todos os colaboradores de uma instituição, promovendo bem-estar e segurança através de campanhas, eventos, treinamentos e, principalmente, a busca ativa – onde são realizados exames de rotina.  

Para Thais de Souza Salim, enfermeira do trabalho do Hospital Pan-Americano (RJ), cuidar de quem cuida é fundamental para que o ambiente hospitalar seja seguro ao paciente e ameno aos profissionais. “Todos os colaboradores precisam estar aptos a prestar um melhor atendimento e de qualidade ao paciente e nosso trabalho é zelar pela saúde física e mental de todos através de ações diárias e cuidado com cada indivíduo”, conta Thais.

Entre as ações propostas pelo setor como as campanhas de Outubro Rosa, Novembro Azul e exames clínicos, são feitas rondas diárias em cada unidade para checar as condições estruturais do ambiente – como materiais e EPIs, por exemplo. Com um planejamento minucioso em mãos, a enfermagem do trabalho une esforços para promover o bem-estar e o autocuidado dos demais colegas diariamente.

“A enfermagem está presente em diversos setores e nosso papel (como enfermagem também) é orientar a todos para que realizem os exames de rotina e participem ativamente das campanhas propostas. Cada setor nos exige uma atenção maior: os que estão expostos ao risco são realizados exames específicos de sangue e eletrocardiograma completo, por exemplo. São práticas importantes e necessárias para que esses colaboradores se sintam acolhidos e seguros sempre”, afirma a enfermeira.

Para ajudar na promoção e busca ativa da saúde, o setor conta com a ajuda de outras três áreas: Educação Continuada, Manutenção e Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, explica Thais. “Quando vemos que há algum risco ou falha no setor, acionamos as equipes de manutenção ou o SCIH para que o processo de prevenção e promoção da saúde de fato aconteça”, diz ela. 

“Fazemos um controle de todos os colaboradores que chegam a nós de forma espontânea ou acionada para realizar os exames e é gerado um relatório com o perfil de cada funcionário indicando quais foram feitos, quantos ainda precisam ser colhidos e os resultados. Nossa meta é que 100% das equipes passem por esse processo e costumamos batê-la sempre, o que é um ótimo indicador para nós”, emenda Thais.

O maior desafio do trabalho está em vencer as crenças de cada um, segundo a enfermeira. “Alguns colaboradores têm receio de expor os problemas pessoais por achar que podem interferir no dia a dia ou nas tomadas de decisão gerenciais – e nosso papel é justamente criar um ambiente acolhedor a esse colaborador para que ele venha sempre até nós, sem medo”, diz ela. 

Ao ser questionada sobre o maior objetivo da área, Thais foi pontual. “Nosso dever é conscientizar o colaborador sobre o protagonismo dele dentro do papel ocupacional na saúde. Devemos entender cada funcionário em sua essência, suas motivações e crenças para entender o que está acontecendo e atuar no foco do problema para tornar um ambiente ameno. Acredito que individualizar cada atendimento e momento com o profissional seja fundamental para esse processo de construção”, finaliza.

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