A prática de atividade física reduz o cansaço emocional e melhora a resiliência da enfermagem

Em tempos de pandemia, o autocuidado de profissionais da saúde é essencial para vencer a luta contra a COVID-19

Os benefícios da atividade física não são segredo para ninguém. A prática constante de exercício oferece qualidade de vida e coloca a saúde mental em dia. Para os profissionais da enfermagem – que lidam diariamente com adversidades no trabalho -, se exercitar é fundamental para uma mente e corpo são. A liberação de endorfina (hormônio responsável pelo bem-estar) aumenta a sensação de energia, elimina o cansaço e aumenta a produtividade.  

A enfermeira Patricia Lemes Martins Guardão atua na UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Carlos Chagas, em Guarulhos (SP), e conta que a prática de exercício faz parte da vida há um tempo. A paulista, que passou por cirurgia bariátrica há 19 anos, encontrou na atividade física a fórmula para o equilíbrio físico e mental. Adepta ao pilates e hidroginástica, para ela, ‘mexer o corpo’ ajuda na disposição, foco e concentração – um ‘trio’ importante para o dia a dia no trabalho. 

“Antes da cirurgia não me preocupava com o cuidado da minha saúde, mas hoje, alimentação e exercício passaram a ser uma questão diária. Nessa quarentena, percebi que aumentei o consumo de alimentos calóricos e ganhei peso. Sem poder seguir com as aulas de pilates e hidroginástica, entrei para uma projeto de ‘21 dias de dieta e exercício físico’ junto com algumas amigas. Esse desafio tem sido ótimo para mim, tanto para o corpo quanto para mente”, conta Patricia. 

Motivada, a enfermeira intensificou os exercícios em casa para manter a saúde física e mental em dia. Mesmo não estando na linha de frente no combate à COVID-19, Patricia contraiu o vírus no início de março. Com o marido e filho mais velho, de 17 anos, também doentes, ela conta que os dias foram intensos e de muita aflição. Preocupada com o filho de 5 anos, que tem problemas respiratórios, a enfermeira se viu emocionalmente abalada.

“Fiquei internada três dias e meus filhos ficaram desesperados, foi um período muito difícil, de pânico. Hoje eles estão conscientes e seguimos os cuidados rigorosamente, sem falhar. Desde que melhorei, além da rotina de atividade física, aos domingos, me reúno com a família para encontros e orações e isso nos ajuda muito a manter o estado emocional em dia – principalmente para mim. Além disso, adotamos um cachorro, o Jack, que tornou o ambiente mais leve e feliz”, comenta.

Para Patricia, a pandemia ensinou a treinar não só corpo e mente, mas paciência e compaixão também. Hoje, ela acredita que o maior desafio dos últimos meses foi manter o controle. Com a gestão de uma equipe de seis técnicas de enfermagem, ela conta que passar segurança aos colegas de trabalho tem sido o maior desafio. 

“A pandemia nos ensinou a olhar mais para dentro de nós, para as pessoas que moram com a gente e, principalmente, para os colegas de trabalho. Muitas coisas acabam passando despercebidas por conta da correria. Tivemos que aprender, por incrível que pareça, a conviver com as pessoas da nossa própria casa. Então são meses de profundo aprendizado e reforma íntima”, finaliza Patricia.

Mais conteúdos