Além da assistência ao paciente: o desafio da gestão de pessoas na enfermagem
Gerentes de enfermagem buscam estratégias individuais para promover um ambiente ideal ao extenso quadro de colaboradores na rede hospitalar
Liderar é uma das habilidades mais importantes no mercado de trabalho e requer empatia e bom relacionamento interpessoal em primeiro lugar. Através de um diálogo claro e transparente, o(a) líder desenvolve papel fundamental ao promover um ambiente agradável aos colaboradores e faz com que a missão, visão e valores da organização estejam alinhados aos objetivos da equipe.
Tida como a maior força de trabalho na área da saúde, a enfermagem tem como premissa a empatia na gestão do cuidado e, para os que atuam como gerentes, o relacionamento interpessoal é ainda maior. Responsáveis por atuar em três frentes diferentes – pacientes, colaboradores e processos administrativos -, os gerentes de enfermagem precisam de aptidão e inteligência emocional para conduzir e proporcionar um ambiente saudável à todas as ‘pontas’ do cuidado.
Há 26 anos na área, Juliana de Souza Melo Mota é gerente de enfermagem do Hospital e Maternidade Santa Helena e é responsável por gerir 550 colaboradores – entre auxiliares (maior quadro), técnicos(as) e enfermeiros(as). Com objetivo de oferecer a melhor assistência e cuidado aos pacientes por meio de equipes capacitadas e amparadas, ela acredita que a educação faz parte das habilidades dos que optam por atuar na enfermagem.
“Enfermeiros(as) são educadores antes de qualquer coisa, pois exercem o tempo todo o papel de orientar pacientes, familiares e acompanhantes, técnicos e auxiliares de enfermagem, expondo as necessidades, aplicando conhecimento e adotando medidas claras e objetivas para desdobrar aos colaboradores que participam ativamente ou não da assistência como um todo”, afirma Juliana.
Ao ser questionada sobre gerir uma equipe grande de trabalho, ela observa: “Quando penso em pessoas, entendo que cada um tem sua necessidade: o paciente tem uma e o colaborador tem outra; meu papel como líder é olhar para todos com um olhar mais humano para conseguir suprir o que cada indivíduo precisa. É uma troca constante e, quando há sincronia com o colaborador, ele passa a estar apto e pronto para entregar a melhor assistência ao paciente (que é nosso maior objetivo como enfermagem).”
Ter convicção do que se faz é importante no dia a dia como gestor(a) e a transparência do líder com os colaboradores é essencial, segundo Juliana. Desde a sua chegada ao Santa Helena em 2017, a gerente de enfermagem propôs uma mudança de modelo mental na área e implementou processos e protocolos – gerando e agregando mais valor ao hospital. Uma das mudanças foi na condução da admissão de profissionais ao quadro de enfermagem.
“Participo de todos os processos seletivos da área no hospital porque acredito que identificar o perfil do colaborador é fundamental para que o processo (no início e durante o trabalho) seja agradável a ele e, por consequência, ao paciente – que será cuidado e assistido por. Há pessoas que encaixam melhor no Centro Cirúrgico por demonstrarem um olhar mais minucioso e rápida absorção de informação; outros, mais ágeis, performam melhor em pronto-socorro. Dessa forma, procuramos estabelecer um ambiente ideal para cada profissional”, explica Juliana.
O desafio da “nova era” da enfermagem
Além das habilidades necessárias e responsabilidades de um líder, o conflito de geração é um aspecto importante e que não deve ser deixado de lado quando o assunto é gestão de pessoas. Em um mundo cada vez mais veloz e tecnológico, Juliana afirma que o desafio para quem está na gestão é gerenciar com sabedoria e entendimento as equipes de trabalho e suas diferenças culturais e mentais.
“Existe uma diferença de gerações inegável e, atualmente, é comum encontrar pessoas mais tecnológicas e menos sensíveis, digamos. A enfermagem é doação o tempo inteiro e é sabido que ninguém chega pronto, mas o entendimento e esclarecimento de que não é uma área em que o colaborador realiza algumas demandas e depois vai embora é importante. Trabalhamos com pessoas e a empatia tem que acontecer em primeiro lugar; não tem como ser tecnicista o tempo todo”, afirma a gerente.
“A enfermagem atua 24 horas e somos a sequência do trabalho uns dos outros, como uma engrenagem que movimenta todo o hospital. Ouço algumas pessoas dizerem que a enfermagem é por amor, mas é uma troca – e não é só amor. É preciso ter noção da responsabilidade que cada colaborador tem na corporação e com o paciente. E fazer com que cada um entenda o processo de cuidar, independente da capacitação técnica ou dos subsídios existentes. Manter viva a essência de gente cuidando de gente e a compaixão no que é feito é nossa maior missão”, finaliza.
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