Além do cuidado assistencial: o papel do enfermeiro educador na segurança do colaborador e do paciente

Responsáveis por integrar e preparar as equipes de trabalho, os enfermeiros educadores capacitam os colaboradores em prol da qualidade e segurança assistencial

O trabalho da enfermagem vai além do cuidado assistencial com o paciente. Por trás da rotina de auxiliares, técnicos e enfermeiros dentro de um hospital, existem papéis fundamentais que compõem o universo da profissão e influenciam diretamente no processo de cuidar. Entre os setores assistenciais, administrativos, de qualidade e gestão, a área de educação é fundamental para que os profissionais da saúde estejam preparados e capacitados para atuar em seus respectivos setores. 

O enfermeiro educador tem o papel de capacitar e integrar as equipes assistenciais com o objetivo de mitigar riscos assistenciais através do empoderamento técnico dos profissionais, buscando promover mudanças a fim de qualificar o trabalho com base em boas práticas. Para Marcela Mellatti Gomes, coordenadora de Educação do UnitedHealth Group Brasil na regional SP, o desafio do educador está em traduzir as diretrizes corporativas em ações locais, de forma que haja um entendimento claro e palpável aos que estão prestando assistência direta aos pacientes.

“Através dos processos de educação conseguimos entregar melhor qualidade assistencial e segurança ao paciente e segurança ao colaborador. Quando o auxiliar, técnico ou enfermeiro estão seguros do processo de cuidado que estão realizando, eles estão menos expostos, como por exemplo na Pandemia, onde as capacitações sobre paramentação e desparamentação trouxeram segurança aos profissionais, com impacto em redução de contaminação das equipes e uso racional de EPI”, conta a coordenadora de educação.

“O educador é um profissional que tem sua atuação a interface com vários setores, como por exemplo ocorre na aquisição de um novo insumo médico hospitalar, onde tem um papel importante na condução de treinamento desse novo recurso para a assistência. Atua também na avaliação de impacto na implantação, planejamento e execução do treinamento e, acompanhamento com apoio das lideranças, SCIH e Qualidade as dificuldades pós implantação, mitigando riscos ao paciente e, custos por utilização inadequada”, afirma Marcela.

Responsável pela área de educação dos hospitais Amil e Americas Serviços Médicos do grupo UHG Brasil na Regional SP, Marcela ressalta a importância da capacitação contínua da enfermagem. Atenta a todas as falhas durante um processo, o time de educadores busca estratégias individuais e metodologias para aplicar em cada hospital da rede. “Nós temos um papel estratégico e macro. Olhamos para o hospital como um todo e, através de metodologias e de treinamentos, desdobramos em ações que promovam a sensibilização da equipe assistencial a fim de que haja mudança nos processos do cuidado”, diz.

“O enfermeiro educador olha para a necessidade do treinamento, avalia a solicitação do setor para entender se realmente é uma necessidade de treinamento ou uma mudança de processo. Ele analisa o público-alvo (se auxiliares, técnicos, enfermeiros ou outros profissionais) e para cada um utiliza uma metodologia e linguagem diferente para entender de que forma sensibilizar aquelas pessoas para que promova a mudança”, conta Marcela.

Segundo a coordenadora, a partir de treinamentos e capacitação adequada é possível estabelecer uma relação na redução de custos com internação por paciente em unidade, além de prestar acolhimento a todos os novos colaboradores, promovendo integração de ponta a ponta no processo. “Cada hospital é um organismo vivo onde existem profissionais com diferentes níveis de formação, complexidade de atendimento e diferentes perfis de lideranças, trazendo uma complexidade maior a gestão dos processos educacionais que, apesar de seguirem as diretrizes mínimas, desdobram de formas diferentes em ações locais”, diz.

“Quando há uma nova diretriz onde modifica um processo e implementa uma nova temática ou uma direção sobre novos insumos, o time tem que traduzir isso em coisas factíveis e palpáveis para quem está na ponta prestando o cuidado direto com o paciente. Traduzir tudo isso em algo que seja palpável e que possa ser assimilado e implementado de verdade é nossa maior missão”, finaliza.

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