Central de Material e Esterilização: entenda mais sobre o ‘coração’ hospitalar

Setor é responsável pelo processamento e limpeza de artigos médicos hospitalares, evitando riscos de infecção e promovendo assistência segura ao paciente

Conhecida como “coração hospitalar”, a Central de Material e Esterilização é responsável por processar todos os artigos médicos e instrumentais dos setores de um hospital – cuidando da limpeza, acondicionamento, esterilização e distribuição dos mesmos. Da porta de entrada à sala de emergência, a enfermagem necessita de algum material de origem da CME como kit sutura, bandeja de punção, dispositivos cirúrgicos descartáveis como os cateteres, materiais permanentes como as caixas cirúrgicas com instrumentais específicos de aço inox ou algum outro tipo de material que seja passível de esterilização. 

Fundamental em todos os aspectos de segurança e higiene, a CME desenvolve um papel importante: mitigar riscos de infecção hospitalar e promover melhor segurança assistencial. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 234 milhões de pacientes são operados por ano em todo o mundo; mas um milhão de pessoas morrem em decorrência de infecções hospitalares e 7 milhões apresentam complicações no pós operatório – o que reforça ainda mais a atuação e responsabilidade da enfermagem nesse setor.  

Para Roberta Poubell Dourado Costa, supervisora da CME do Americas Medical City no Rio de Janeiro (RJ), a conscientização de um ambiente limpo e seguro é fundamental para quem está na ponta assistencial. Responsável por avaliar todas as etapas do processo e equipe do setor, ela desenvolve um trabalho em conjunto com o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar na elaboração de protocolos operacionais e treinamentos dos profissionais da enfermagem.

“Todas as áreas assistenciais de um hospital têm itens reprocessados e que passam pela CME. Nosso trabalho é em conjunto com o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) para construção e aprovação de protocolos de segurança, promovendo a prevenção de infecção ao entregar materiais limpos, desinfetados e esterilizados com todas as garantias e testes existentes no mercado, qualificação correta de equipamentos e validação dos processos”, conta Roberta. 

Além de gerir uma equipe de 40 profissionais entre técnicos(as) e enfermeiros(as), a supervisora fica em contato direto com os gestores de cada área do hospital para que a dinâmica de trabalho e eventuais conflitos sejam solucionados. Por se tratar de uma limpeza minuciosa, diversos testes são feitos nos equipamentos – como o ATP, que mensura a quantidade de sujidade do instrumental. Além dele, é feita uma coleta de amostra para averiguar se a limpeza está dentro do padrão exigido. 

“Todos os equipamentos utilizados, como desinfectador, lavadora ultrasônica, autoclave e seladora de grau cirúrgico, passam por uma qualificação de desempenho com técnicos especializados em nosso setor que avaliam o equipamento como um todo. São feitos também testes e manutenções preventivas e corretivas no dia a dia para avaliar as peças em si”, afirma a supervisora de enfermagem.

Apesar de ser uma área vital ao hospital, a CME precisa ocupar mais espaço nas grades curriculares, segundo Roberta. “Existe um déficit de profissionais nessa área porque tanto a graduação de Enfermagem quanto o curso técnico não fornecem subsídios para que as pessoas conheçam, entendam e queiram atuar no setor. A trajetória obrigatória do(a) enfermeiro(a) no Centro Cirúrgico – setor que nos ajuda a entender o que é utilizado em uma cirurgia e o preparo específico – o faz expandir o conhecimento e encontrar a CME no meio do caminho”, explica. 

Quem atua na CME é apaixonado por instrumental e tecnologia, conta a supervisora. “Trabalhamos hoje com uma tecnologia incrível e, nos últimos dez anos, houve um avanço tecnológico grandioso que nos exige capacitação constante para acompanhar essa evolução. Manuseamos equipamentos específicos e essenciais – e gostar da linguagem técnica é primordial para um setor seguro”, finaliza Roberta.

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