Classificação de risco: entenda a importância do protocolo para o atendimento do paciente

Enfermagem tem o papel de conduzir de forma ágil e humanizada pacientes em todas as escalas de urgência e emergência do pronto-socorro

O pronto-socorro é a porta de entrada para pacientes em situações de urgência e emergência, graves ou potencialmente graves e que necessitam de atendimento especializado. Dentre os setores de um hospital, o PS é considerado o de maior dinâmica devido ao fluxo diário de pessoas – e engana-se quem associa uma recepção vazia com tranquilidade e calmaria; em minutos a quietude pode mudar e a enfermagem é a grande protagonista da área ao proporcionar agilidade ao processo.

Responsáveis por avaliar todos os pacientes que dão entrada ao PS, enfermeiros e enfermeiras precisam de destreza ao conduzir e orientar cada pessoa de acordo com sua necessidade, prezando por um atendimento ágil e humanizado igualitariamente. Desde a criação do protocolo de Classificação de Risco, através de um conhecimento técnico-científico peculiar, a enfermagem tem o papel de gerenciar e organizar a ordem de atendimento através de um sistema de cores – que estabelece a gravidade e tempo de espera em que o paciente pode ser submetido com segurança até a consulta médica.

Para Flávia Conceição dos Santos, enfermeira rotina do Pronto-Socorro do Hospital Pan-Americano no Rio de Janeiro, a Classificação de Risco é essencial para promover uma assistência segura e eficiente a todos os pacientes que recorrem às instituições de saúde.

“Antigamente, o critério de atendimento era baseado na ordem de chegada e com essa sistematização, podemos priorizar os casos de maior urgência sem deixar de lado os que podem aguardar um determinado tempo com segurança para ser atendido pela equipe médica”, conta ela.

A dinâmica do protocolo de Classificação de Risco

A aferição da pressão, sinais vitais e sintoma de dor são um dos indicadores que fazem parte do protocolo de Classificação de Risco durante a condução do paciente na triagem do pronto-socorro. A partir da leitura do(a) enfermeira(o) diante do paciente, ele é encaminhado ao setor indicado e recebe uma etiqueta no tórax – geralmente caracterizada pelas cores azul, amarelo, verde, laranja e vermelho – que identifica: 

  • Azul: atendimento em até 120 minutos
  • Verde: atendimento em até 90 minutos
  • Amarelo: atendimento em até 30 minutos 
  • Laranja: atendimento em até dez minutos
  • Vermelho: atendimento imediato

“Além da porta de entrada comum do pronto-socorro, temos a porta traseira da emergência por onde chegam pacientes em estados graves – como parada cardíaca – que precisam ser submetidos a um atendimento imediato ou em até dez minutos, caracterizado pela cor laranja ou vermelha. Um paciente que chega ao PS com dor torácica, por exemplo, é encaminhado diretamente ao leito para a equipe de retaguarda do setor”, explica Flávia.

Atributos necessários para atuar no pronto-socorro

A visão do enfermeiro e enfermeira que atuam no PS deve ser ampla e, além da agilidade, o pensamento crítico ao conduzir o paciente é necessário, diz a enfermeira.

“Precisamos fazer uma leitura rápida ao averiguar o paciente durante a triagem e não é uma tarefa fácil. A observação completa é fundamental, pois muitos pacientes não indicam – seja na fala ou gesto –  todos os sintomas e nesse momento, a cognição e empatia precisam caminhar em conjunto com o conhecimento técnico para conduzirmos da melhor maneira aquele indivíduo”, afirma.

Além da agilidade e senso crítico, o pronto-socorro exige da enfermagem calma e organização.

“Por pior que seja o estado do paciente, é fundamental manter a calma para seguir a conduta da melhor forma, sem deixar de lado o conhecimento técnico e o protocolo de CR. O entendimento e clareza do que está fazendo durante um momento delicado somado ao trabalho organizado e em equipe, garantem um trabalho de excelência”, observa Flávia.

Desafio do setor 

Como em todos os setores em que a enfermagem atua, o PS exige capacitação contínua das equipes assistenciais.

“Minimizar erros é o nosso grande desafio. Temos um time muito capacitado, unido e bons ouvintes – que reconhecem os erros e procuram melhorar. A enfermagem emergencista está no primeiro contato com o paciente e tempo é coração, é cérebro. Temos que adquirir conhecimento, saber novas técnicas e melhorar nossa performance diariamente, pois lidamos com vidas em estado extremo de vulnerabilidade”, ressalta a enfermeira.

“Fazemos um trabalho de observar o rendimento e performance das equipes para entendermos, juntos, o que pode ser melhorado, prezando a melhor assistência, segurança e agilidade ao paciente. Costumo brincar dizendo que vestimos a capa do plantão e nela, depositamos o espírito de que tudo dará certo, independente do que acontecer. Infelizmente, óbitos acontecem e precisamos chegar todos os dias com essa ‘capa de confiança e sucesso’ para mitigar erros”, finaliza Flávia.

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