Cofen normatiza a atuação do enfermeiro na punção intra-óssea

Enfermagem pode buscar a capacitação como respaldo para realização do procedimento em pacientes críticos

A enfermagem é uma área ampla e os profissionais que atuam nela carregam consigo inúmeros atributos. Entre as responsabilidades assistenciais com o paciente, gestão de processos e gestão estrutural, enfermeiros e enfermeiras possuem capacitação para realizar procedimentos específicos os quais só eles têm autorização – como a sondagem vesical de demora, cuidados com cateter centrais entre outros procedimentos complexos individuais de cada unidade.

No mês de setembro, o plenário do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) aprovou a resolução que normatiza a atuação e capacitação de enfermeiros e enfermeiras na realização da punção intra-óssea em situações de urgência, emergência e intra-hospitalares. O objetivo da normatização é trazer mais segurança aos colaboradores no procedimento para salvar a vida de pacientes graves como paradas cardiorrespiratórias – que causam dificuldade no acesso do vaso sanguíneo – e insuficiência respiratória aguda.

Em São Paulo, a realização da punção intra óssea acontece desde 2009 através de respaldo do Cofen-SP para enfermeiros e enfermeiras treinados. Para a gerente de enfermagem Fernanda Lucia Felizardo de Oliveira do Pronto-Socorro e Medicina Diagnóstica do Hospital Samaritano Higienópolis (SP), a resolução é fundamental no cuidado com pacientes críticos. Na enfermagem há 15 anos, ela conta que o procedimento – já utilizado durante sua gestão – agora traz mais segurança às equipes com o respaldo jurídico.

“A punção intra-óssea é uma outra forma de dispositivo venoso importante para nós, principalmente dentro dos pronto-socorros. Algumas situações clínicas e de instabilidade do paciente podem impedir outro acesso venoso e esse é um recurso que vem auxiliar em uma assistência mais rápida e eficaz”, afirma Fernanda. 

Para Adriano Valadão Flores, gerente de enfermagem do Hospital Pasteur no Rio de Janeiro (RJ), a normatização é uma iniciativa de valorização para a categoria. Na enfermagem há 20 anos, ele acredita que a atividade passa a ser mais um procedimento privativo do enfermeiro e que diferencia o profissional habilitado para essa exercer a qualificação.

 “A resolução traz para o enfermeiro condições para que o procedimento aconteça dentro das normas estabelecidas, propondo maior segurança técnica ao colaborador e ao paciente assistido. O treinamento de punção intra-óssea existe há quase dois anos dentro da Gestão Nacional de Educação Corporativa do UnitedHealth Group Brasil, mas surgiu de forma tímida devido a ausência da resolução no âmbito nacional. Agora a adesão ao treinamento será maior e teremos uma capacitação a nível nacional, o que qualifica a enfermagem brasileira”, finaliza.

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