Confira detalhes sobre a importância da enfermagem obstétrica na saúde da mulher

A especialização traz autonomia aos profissionais que têm a habilidade de empoderar mulheres durante o ciclo gravídico-puerperal

A taxa de cirurgias cesarianas aumenta a cada ano em todo o mundo. O Brasil é o segundo país com maior taxa de cesáreas – e o total de procedimentos no país chega a 55,5%; em hospitais particulares, o índice vai a 84% segundo dados do Ministério da Saúde. Mas essa “epidemia de cesáreas” vai na contramão da orientação da Organização Mundial da Saúde – que tem como missão reduzir as taxas de 10 a 15% dos partos cirúrgicos apenas em necessidades médicas. Por isso a discussão pela saúde da mulher ganha cada vez mais força – e as equipes de enfermagem especializadas em obstetrícia têm papel fundamental no empoderamento das mulheres. 

A enfermeira obstetra Maria Carolina Osti é supervisora de enfermagem do bloco materno do Hospital da Luz, em São Paulo (SP) e atua há 17 anos com a saúde da mulher. Carolina conta que muito cedo quis trabalhar com o nascimento e a parte do ciclo gravídico-puerperal. Hoje, ela lidera uma equipe de 150 profissionais entre auxiliares, técnicos e enfermeiras especializadas em obstetrícia – e acredita na importância da capacitação técnica e da orientação às mulheres durante o período gestacional.

 “No Brasil existe a cultura do ‘médico centrista’, quando as mulheres acreditam que o parto deve acontecer com o profissional que a acompanhou durante o pré-natal, quando, na verdade, muitas não recebem a devida instrução e orientação a respeito dos riscos e consequências de uma cirurgia, se o corpo dela está apto a passar por um procedimento invasivo e se de fato é uma escolha majoritariamente dela. Mas as equipes de enfermagem, quando preparadas e capacitadas para promover a saúde da mulher, conseguem instruir e orientar de forma correta sobre o melhor procedimento a ser feito para a saúde da mãe e do bebê”, conta Carolina.

Inspirada no projeto ‘Parto Adequado’ – desenvolvido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), Institute for Healthcare Improvement (IHI) e com o apoio do Ministério da Saúde, – Carolina desenvolveu o projeto ‘Assistência ao Parto’ no Hospital da Luz. E a unidade passou a ser referência no assunto na rede suplementar. O propósito do movimento é oferecer às mulheres e aos bebês o cuidado individualizado ao longo da gestação, durante todo o trabalho de parto e pós-parto, considerando a estrutura e o preparo da equipe de enfermagem e da equipe multiprofissional. 

“Conseguimos desenvolver no Hospital da Luz um projeto espetacular dentro da linha materna de assistência ao parto com as enfermeiras obstetras e, hoje, cerca de 78% das nossas enfermeiras especialistas assistem aos partos do hospital. Essa mudança de cuidado com mulheres gestantes e toda a assistência do início ao fim – até o puerpério – é nossa maior preocupação. Acreditamos que a saúde e o cuidado da mulher esteja em primeiro lugar, sendo ela a voz de um momento tão importante como o nascimento de um filho”, conta Carolina. 

Segundo a supervisora, uma equipe de enfermagem especializada em obstetrícia é fundamental para uma boa assistência e cuidado. “Nossa atenção é centrada totalmente na mulher e no que for melhor para a mãe e bebê. Não fazemos parto normal a qualquer custo ou cesárea, trabalhamos com o que for melhor para o corpo da mulher e o que ela quiser. O cuidado em entender o quanto ela está preparada, o contexto emocional e as consequências de um procedimento é essencial. A cesariana também salva vidas e por isso existe, mas é preciso informar, observar e entender os sinais do corpo para que o melhor seja feito sempre”, finaliza.

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