Conheça o papel da enfermagem no Home Care, o cuidado domiciliar aos pacientes

A rotina e os desafios para enfermeiros e técnicos são diferentes quando o tratamento acontece em casa

Home Care é o termo em inglês para a assistência médica domiciliar; e esse é um dos campos de grande atuação da enfermagem nos dias de hoje. A modalidade permite a desospitalização precoce de pacientes com doença crônicas ou que dependem do cuidado de uma equipe multidisciplinar (como fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos entre outros) para melhor recuperação no conforto do lar, como pacientes de alta complexidade que necessitam de sonda, traqueostomia ou ventilação, e os de baixa complexidade, com necessidade de curativos, medicação ou uso de antibióticos.

Diferente da enfermagem hospitalar, o Home Care oferece rotinas menos pragmáticas e um atendimento mais individualizado, incluindo técnicas e adaptações de acordo com cada lar. Segundo a coordenadora de enfermagem Paula Daniela Rodrigues Bueno, da rede Amil no ABC (SP), para atuar em domicílio o enfermeiro ou técnico de enfermagem precisa de um amplo conhecimento técnico.

“Dentro do hospital você tem toda estrutura necessária e equipe de apoio como suporte, mas no atendimento em casa é preciso ser mais autônomo e criar estratégias de cuidado diferentes para cada paciente”, conta a coordenadora regional. 

O trabalho da enfermagem no domicílio vai além do acolhimento e assistência. São eles os responsáveis pela logística de materiais, controle de medicação e segurança do paciente, além do amplo conhecimento teórico – e necessário – para que a melhor conduta seja aplicada em casos de intercorrência médica. Para Paula, a principal diferença entre o atendimento domiciliar e o hospitalar são os protocolos e a rotina. 

“Quando o atendimento é em domicílio, existem protocolos de segurança a seguir como em um hospital, mas muitas vezes é preciso ajustá-los ao dia a dia de cada casa. Lidamos com pacientes de todos os níveis sociais, com instalações, estruturas e culturas diferentes – e isso pede um cuidado individualizado ainda maior”, comenta ela. 

Um dos maiores desafios do atendimento em domicílio está nas situações adversas de cada casa, segundo Paula. Há 14 anos atuando no Home Care, a paulista de 39 anos afirma que conquistar a família envolvida no suporte ao paciente é fundamental para que o trabalho da enfermagem, de fato, funcione.

“No hospital existem regras a seguir e, em tempos de pandemia, as visitas são proibidas. No domicílio, temos o papel de alertar e orientar, mas nem sempre com êxito. Nos colocamos ‘dentro’ da rotina da família e existe um trabalho diário para que aquele paciente fidelize com a enfermagem para que todo o tratamento ocorra da melhor maneira possível”, afirma Paula. 

A ‘nova’ rotina do Home Care 

Para os profissionais da enfermagem que atuam em domicílio, a pandemia do novo Coronavírus também afetou a jornada de trabalho. “O pior foi lidar com o medo de todos e, por muitas vezes, precisei ‘trazer pro eixo’ os colaboradores que se abalavam com a situação, por medo ou receio”, conta a supervisora.

“São dias difíceis para todos nós da saúde – e há muito trabalho”, emenda Paula. “A pandemia reforçou ainda mais o quanto a vida é frágil e que nem a maior ou melhor tecnologia pode resolver tudo. Nos adaptamos ao novo modelo de trabalho, que tem funcionado bem. É preciso amor no coração, cuidado e dedicação diários. E vale sempre conversar e equilibrar o dia com atividades prazerosas, como deve acontecer em qualquer profissão”, finaliza.

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