Conheça o papel da enfermagem no resgate, o atendimento pré-hospitalar de pacientes

Os desafios dos enfermeiros e técnicos que atuam na rua exigem maior esforço cognitivo 

O papel da enfermagem no resgate é dinâmico e desafiador. Além de analisar as condições do paciente, conferir os sinais vitais e avaliar riscos ou lesões sofridas, os enfermeiros que atuam no atendimento pré-hospitalar precisam de amplo conhecimento técnico e esforço cognitivo. Prontos para qualquer emergência ou chamado, seja na rua, residência ou na remoção intra-hospitalar de pacientes em estado grave, os profissionais realizam uma série de cursos preparatórios para enfrentar qualquer situação adversa. 

Entre as atividades prestadas, o enfermeiro de resgate tem como atribuição prestar cuidados de enfermagem de qualquer complexidade técnica a pacientes com ou sem risco de vida, além da capacidade de tomar decisões imediatas. Entre outras funções, ele(a) deve fazer ainda controle de qualidade do serviço e supervisionar e avaliar as ações da enfermagem no atendimento pré-hospitalar móvel – mas os segmentos de atuação desses profissionais são inúmeros e eles podem trabalhar no atendimento terrestre, aéreo, estádio esportivo, academias, grupos de turismo de aventura, etc.

O enfermeiro Pedro Henrique Bernardo Pires está na enfermagem há 10 anos e integra a base operacional da Amil Resgate localizada no Hospital Pasteur (RJ). Com experiência em atendimento terrestre e preparação aérea, o carioca de 37 anos conta que o maior desafio da profissão está em prestar o melhor serviço com qualidade e segurança a cada paciente – independente do estado clínico. Responsável pela UTI móvel (ambulância) da região do Méier, ele afirma que é preciso amor e brilho nos olhos para exercer o trabalho.

“O dia a dia no resgate é bastante dinâmico e o nosso maior fluxo de atendimento está na remoção intra-hospitalar de pacientes. Nossa ambulância funciona como uma extensão do CTI (Centro de Terapia Intensiva) e é preciso um alto nível de conhecimento técnico, dedicação diária e treinamentos constantes para exercermos um trabalho de excelência. Lidamos com pacientes graves e fragilizados e é preciso empatia e respeito da nossa parte”, conta Pedro Henrique. 

Pandemia e as mudanças no resgate de pacientes

Desde o início da pandemia de COVID-19, a rotina de trabalho dos enfermeiros que prestam atendimento pré-hospitalar mudou. Além dos novos protocolos de segurança e higiene como o uso completo de EPIs (Equipamento Individual de Proteção) e a paramentação e desparamentação correta de cada item, a duração do atendimento aumentou, segundo Pedro Henrique. O atendimento de duração média de até uma hora passou a levar duas. Por exemplo: a cada chamado da unidade móvel, é realizada a higienização completa do automóvel e feita a troca de EPIs dos enfermeiros, técnicos e condutor (socorrista).

Com os casos de infecção pelo novo Coronavírus, o perfil de atendimento também passou a ser mais grave, conta Pedro. “No início, foi muito difícil para todos nós. Não sabíamos lidar com os pacientes, tinhamos muita insegurança e por vários momentos me vi medindo meu próprio batimento cardíaco, porque sentia que estava contaminado. Aos poucos, fomos nos adaptando e chegamos a um padrão de excelência de atendimento no processo de cuidado, segurança e higienização de cada paciente”, afirma ele. 

Preocupado com a saúde mental, o enfermeiro faz ioga (prática meditativa e física originária da Índia) e criou o hábito de ouvir sons que emanam o barulho da natureza – como de cachoeiras e do mar. “Às vezes acontece de um pensamento ou lembrança de paciente em estado grave vir à mente. Mas desde a COVID-19, passei a fazer uma limpeza energética e espiritual diariamente. No caminho para casa, escuto músicas relaxantes, pratico meditação  e procuro ler bastante. Esse combo tem funcionado como uma terapia para mim”, finaliza o enfermeiro. 

Mais conteúdos