Conheça o setor de Qualidade e entenda sua importância para o cuidado assistencial

Setor atua de forma estratégica na prevenção de riscos e busca por melhorias para a segurança do paciente

A enfermagem é uma profissão que está no centro do cuidado e traz consigo a responsabilidade de coordenar os diferentes processos que permeiam a assistência ao paciente. Como “agentes do cuidado”, além da condição cognitiva necessária, enfermeiros e enfermeiras precisam desenvolver uma visão mais ampliada do cuidar – e o setor de Qualidade é fundamental para que os profissionais enxerguem a importância do seu papel como colaboradores da instituição e da saúde. 

Entre os setores que sustentam a assistência ao paciente no ramo hospitalar, o setor de Qualidade tem um importante papel no apoio das diferentes áreas e na disseminação da cultura de segurança do paciente, uma vez que ela é impulsionadora dos processos de melhoria contínua e que permeiam toda a instituição hospitalar – contribuindo para caminhos cada vez mais seguros para o paciente, colaboradores e instituição.  

Há 35 anos na profissão, Regina Marcia Cassago é gerente do corpo de enfermagem do Hospital e Maternidade Ipiranga  Arujá (SP) e atuou por 15 anos no setor de Qualidade (em outra instituição). Para ela, a enfermagem – de maneira geral – tem uma conexão forte e inegável com o setor. “É uma área que está sempre à frente e pensando em como melhorar os processos de trabalho buscando, com isso, a melhoria da qualidade e da segurança do paciente”, conta a gerente. 

Indicadores como norte assistencial

Uma das atividades do setor de Qualidade é o monitoramento dos indicadores assistenciais. Esses indicadores estão ligados a diversos processos como assistência de enfermagem, protocolos gerenciados entre outros como, por exemplo, a incidência de lesão por pressão, índice de flebite, tempo porta ECG e mais. O monitoramento possibilita que o resultado de cada indicador seja analisado criticamente e melhorias sejam implementadas com maior agilidade e eficiência.

Segundo a gerente de enfermagem, é importante que o olhar sobre o processo assistencial seja ampliado para que se identifique todos os fatores contribuintes. “A Qualidade é um norte para enfermagem em termos de melhorias, pois estimula o profissional a olhar o processo e suas interfaces – o que gera benefício para toda a cadeia assistencial”, analisa ela. 

Qualidade, Educação e SCIH – a tríade do cuidado

A Qualidade atua multidisciplinarmente e tem especial proximidade com duas outras áreas também consideradas estratégicas e essenciais para a construção de uma assistência segura: a Educação Continuada e o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar. A Educação atua como agente de ampliação do conhecimento dos colaboradores possibilitando a disseminação de novas práticas, atualização de conhecimento e a uniformização do cuidado assistencial.

Enquanto SCIH, atua no monitoramento das boas práticas relacionadas à prevenção de infecções hospitalares e dos indicadores específicos da área. A gerente ressalta, ainda, que a Qualidade se faz por meio do envolvimento das pessoas que atuam na base do cuidado assistencial, pois são elas quem de fato realizam o cuidado e consolidam os processos e a cultura institucional.

“Costumo dizer que é uma tríade: você não consegue fazer Qualidade se não trabalhar com todas as pessoas envolvidas desde a base da operação até a ponta assistencial. E isso traz a possibilidade de correção de processos e de melhoria da assistência muito grande”, observa Regina.

O desafio do setor

Com sólida experiência em Qualidade, Regina implementou novos processos desde sua chegada à gerência do Hospital e Maternidade Ipiranga Arujá – e acredita que a principal competência desenvolvida foi a visão de macro processo. A gerente observa, ainda, que os profissionais precisam entender que suas ações refletem tanto positivamente quanto negativamente no desfecho do paciente. E cita os dois grandes desafios do setor: fazer a gestão de pessoas e processos e criar uma cultura de segurança dentro do corpo de enfermagem. 

“Os profissionais saem das instituições de ensino com pouco ou nenhum conhecimento sobre Qualidade. É um tema pouco abordado e, embora haja um movimento crescente e cada vez mais presente nas instituições de saúde, ainda há muito o que fazer para que a qualidade e a segurança do paciente se consolidem nos atos e atitudes dos profissionais. Precisamos inseri-los nesse contexto para caminharmos cada vez mais em direção a uma assistência segura”, finaliza.

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