COVID-19: enfermeira comenta aumento de casos da doença no país

Número de casos de infecção por Coronavírus voltou a crescer no Brasil e descuido da população preocupa a enfermagem

A COVID-19 aflige o mundo desde março deste ano, mês em que a Organização Mundial da Saúde definiu o surto da doença como pandemia. Até agora (dezembro), mais de 72 milhões de pessoas foram acometidas pelo vírus e 1,6 milhão morreram em todo o mundo; só no Brasil, 7 milhões contraíram a doença e mais de 181 mil vieram a óbito. Desde então, agentes e profissionais da saúde se desdobram para combater o Coronavírus e lidam diariamente com o risco de contaminação nesses mais de 300 dias de enfrentamento. 

Há quem olhe para o cenário atual e pense que a situação está controlada ou que estamos cada vez mais perto do fim, mas para a enfermeira Marina Ferreira de Oliveira Nascimento, coordenadora do Pronto-socorro adulto e Emergência do Hospital Pan-Americano (RJ), o aumento de casos nas últimas semanas no país e no mundo é preocupante. 

Diferente do início da pandemia – quando se acreditava que a doença acometia apenas idosos e grupos de pessoas com comorbidades – a “segunda onda” de casos ganhou força no país e os mais novos são o foco de infecção, segundo Marina. 

“É notório que a faixa etária nesse segundo momento da pandemia é um público mais jovem, concentrado entre pessoas de 19 a 50 anos. Hoje estamos mais aptos a lidar com pacientes infectados se compararmos com o início de março, mas ainda é uma doença desconhecida para todos e que exige cuidado e atenção a todo momento”, observa a enfermeira. 

Relaxamento da população e o aumento de internações 

Segundo a enfermeira, houve um relaxamento das pessoas de modo geral em relação às medidas preventivas estabelecidas pela OMS e o Ministério da Saúde. “Acredito que a população brasileira criou a falsa impressão de melhora da pandemia devido à queda de mortalidade em relação à doença, entendendo que a situação está controlada ou foi resolvida. Percebemos no dia a dia o descuido do uso de máscara, da higiene constante das mãos e vemos constantemente aglomerações nas praias e locais de diversão – principalmente no Rio de Janeiro”, conta a coordenadora. 

No combate a COVID-19 desde o início da pandemia, Marina comenta sobre o descuido das pessoas em um momento ainda crítico. “Nós da enfermagem e demais profissionais da saúde vivemos uma vida difícil há mais de nove meses, de medo de se contaminar ou contaminar algum parente. Assistir a esse descuido da população nos gera um sentimento de incapacidade. Lidamos com vida e morte o tempo todo e o cenário fora do hospital nos causa tristeza”, desabafa ela.

Desafios para vencer a “segunda onda” 

A orientação para quem procura o pronto-socorro com suspeita de COVID-19 ainda é a mesma – e a conscientização da enfermagem aos pacientes é ainda maior, aponta Marina.

“A enfermagem tem uma característica de nunca desistir das pessoas e a particularidade de cuidar do outro, de ter compaixão e empatia faz com que não desanimemos ou deixemos de reforçar a importância de respeitar e manter o cuidado para passarmos por essa pandemia”, diz a enfermeira.

“O maior aprendizado da pandemia foi lidar com a vida e a morte o tempo inteiro. Vivemos um cenário desgastante, de ritmo exaustivo de trabalho e que tem sido vencido por todos nós. A COVID-19 ainda é um desafio muito grande e serve de reflexão para todos sobre a valorização da profissão – que conquistou o respeito e olhar do mundo como nunca antes existiu”, finaliza. 

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