Dia Mundial do Combate ao Câncer de Próstata: a importância do autocuidado na saúde masculina

Campanha mundial sobre #NovembroAzul enaltece a prevenção contra o câncer de próstata - e a enfermagem atua como “agente do cuidado” no combate à doença

O mês de novembro é marcado pelas ações do Novembro Azul, movimento mundial em prol da prevenção contra o câncer de próstata – considerada a segunda doença que mais atinge homens depois do câncer de pele, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A primeira campanha surgiu há quase duas décadas mas, apesar disso, ainda não é suficiente para driblar os números. Segundo o INCA, mais de 65 mil casos de câncer de próstata foram registrados em 2020 e estima-se um aumento significativo do diagnóstico nos próximos anos.  

Tidos como “educadores da saúde”, enfermeiros e enfermeiras exercem um papel fundamental no cuidado com pacientes oncológicos – desde a orientação sobre a prevenção até o acolhimento e plano de cuidado durante a trajetória da doença. Para a enfermeira oncológica Márcia Helena Dornellas Hock, do Hospital Paulistano (SP), a pauta discutida nas campanhas de Novembro Azul é essencial para propagar a importância da busca ativa pelo autocuidado na saúde masculina.

“A maioria dos pacientes com câncer de próstata do Hospital Paulistano foram diagnosticados ainda na fase inicial da doença, o que possibilita um tratamento mais ‘fácil’ além de maior chance de cura. Mas, apesar do esclarecimento de alguns, ainda vemos muitos homens chegarem a um estágio avançado da doença por medo, preconceito ou vergonha de buscar ajuda. O preconceito em relação ao cuidado com a saúde masculina existe e precisa ser quebrado – e, nós, profissionais da saúde, podemos e devemos ajudar na conscientização de pacientes para quebrar possíveis barreiras”, conta Márcia.

Um tabu que leva ao risco 

Assim como outras doenças “sigilosas”, o câncer de próstata é assintomático no estágio inicial – o que aumenta o desinteresse pelos homens em se cuidar, observa a enfermeira especialista em oncologia. Além do exame de sangue (PSA), o exame de toque retal é primordial para o diagnóstico precoce de câncer de próstata – entre outras doenças – e o entendimento sobre os possíveis riscos deve ser levado em conta na hora de instruir o paciente, conta Márcia.

“Nosso papel na oncologia é, além promover o cuidado e a qualidade de vida do paciente, conscientizar os homens a serem atuantes no cuidado integral com a própria saúde. Vemos mulheres fazendo os exames preventivos anualmente e é sabido que, quanto maior a idade do homem, maior o risco de câncer de próstata. A prevenção no âmbito masculino ainda é um tabu e os expõem a riscos”, afirma a enfermeira especialista. 

O autocuidado começa na enfermagem

Vistos como “agentes do cuidado”, enfermeiros e enfermeiras também precisam olhar para si em primeiro lugar – e campanhas como o Novembro Azul ajudam a reforçar a cultura do autoexame na enfermagem. “Essas datas estimulam não só pacientes e acompanhantes como os próprios colaboradores a zelar pelo autocuidado. Vejo colegas – homens e mulheres – procurarem ajuda a partir de eventos pontuais e, para nós da oncologia, existe uma preocupação maior com a própria saúde. A prevenção passa a fazer parte do nosso hábito como pessoas”, conta Márcia. 

A enfermeira observa, ainda, a importância de olhar para outras doenças – além do câncer de próstata – que atingem os homens. “Fala-se muito sobre a próstata, mas o câncer de pênis também é uma realidade que precisa ser lembrada, entre outras doenças existentes. Vemos pacientes jovens com diagnóstico de câncer no pênis por não saberem higienizar de forma correta e, apesar de a internet ser uma aliada na busca pela informação, ela não deve anular ou substituir a procura do paciente por médicos, exames, vacinas ou até mesmo a higiene tradicional”, finaliza ela.

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