Entenda o papel da enfermagem no cuidado de pacientes oncológicos

O conhecimento técnico-científico de enfermeiros e técnicos é fundamental no cuidado com pacientes que enfrentam o câncer

A descoberta do câncer é um momento difícil e de grande carga emocional acompanhada de medo, dúvidas e incertezas. O diagnóstico – por vezes associado ao ‘fim’ ou à morte – gera uma demanda não só biológica, mas psicológica e social devido às mudanças que a doença acarreta. Com o avanço da tecnologia e estudos contínuos a respeito do câncer, médicos, equipe de enfermagem, psicólogos, nutricionistas e demais profissionais exercem papel fundamental de cuidado, suporte e acolhimento a pacientes oncológicos. 

Dentre o papel da equipe multidisciplinar, a enfermagem é responsável pelo cuidado e acolhimento direto desses pacientes – antes, durante e depois do diagnóstico da doença. A gerente de enfermagem Patricia Martins Passos do Americas Oncologia situado no Rio de Janeiro (RJ), atua no setor há 20 anos e acredita que a técnica e confiança do profissional vêm antes do cuidar propriamente dito. Responsável pela gestão de processos das cinco unidades clínicas oncológicas do grupo Americas Serviços Médicos, a gerente enaltece o conhecimento como base do trabalho.

“O grande papel dos enfermeiros e técnicos que atuam na oncologia é oferecer todo apoio e suporte possível aos pacientes – não só na assistência como na escuta, na fala e no cuidar em si. São profissionais que precisam ser muito técnicos e entender a fundo a doença. Tratar não é só cuidar, é preciso estar atento às tecnologias, estudos, remédios, manipulações e um embasamento técnico-científico muito robusto para atender o paciente em sua totalidade. Só o acolhimento em si não é suficiente, o conhecimento e domínio técnico são primordiais na oncologia”, afirma Patricia. 

Segundo a gerente de enfermagem, a confiança dos enfermeiros e técnicos é essencial no dia a dia de um centro de tratamento infusional. Por se tratar de uma clínica ambulatorial, os pacientes costumam permanecer uma média de três horas para realizar o tratamento – e a equipe precisa estar preparada para esclarecer qualquer dúvida ou desconforto de pacientes. 

“É importante que o profissional esteja confiante em realizar um procedimento para que o paciente não se sinta inseguro. São pacientes sensíveis, debilitados e alguns profissionais podem sentir desconforto ou dificuldade em lidar. Isso pode acontecer e, nesse momento, ser claro e explicar ao paciente o que está acontecendo – e pedir ajuda de outro profissional – é essencial para que ele não se sinta inseguro ou duvide do processo e do papel da enfermagem no tratamento”, afirma ela. 

Oncologia e o autocuidado da enfermagem

Além da carga emocional dos pacientes, a equipe de enfermagem exige da liderança um maior cuidado e atenção quando o assunto é saúde mental. “Quando um enfermeiro ou técnico vêem uma pessoa da mesma idade enfrentando uma doença tão agressiva ou lida com pacientes sem perspectiva de cura, ele absorve aquela carga emocional para ele. Nosso papel como gerência e liderança é fomentar a importância do bem-estar e do autocuidado para que a equipe esteja confiante e convicta”, afirma a gerente de enfermagem.

Treinamentos, reuniões e conversas individuais fazem parte da estratégia da gestão da Patricia para cuidar dos mais de 60 profissionais distribuídos nas cinco unidades da Clínica Oncológica em que é responsável. “É preciso entender o momento pessoal de cada colaborador e não negligenciar o sentimento. Buscamos orientar e cuidar para que a equipe esteja confortável em estar li. É uma ‘briga do bem’ diária fazer com que o profissional não atenda sempre o mesmo paciente, mas, ao mesmo tempo, lidar com a preferência do paciente por aquele profissional. Não podemos expor nem um nem outro”, conta ela. 

Para Patricia, o maior aprendizado da enfermagem é fazer a diferença na vida dos pacientes. “Quem enfrenta o câncer passa por um processo grandioso, de muitas mudanças e a enfermagem vem para agregar valor à vida dessas pessoas. Quanto mais capacitada e preparada a equipe de enfermagem estiver, mais eficaz aquele cuidado será. Ouvir um elogio sobre o cuidado caloroso, atenção e o quanto aquele enfermeiro é instruído, não tem preço. Fazer a diferença na vida de pessoas debilitadas é o maior presente que a enfermagem pode nos proporcionar”, finaliza.

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