Entenda o papel do enfermeiro emergencista

O conhecimento na classificação de risco é primordial para o trabalho da enfermagem no setor 

O dia a dia de um(a) enfermeiro na Emergência hospitalar é diferente dos que atuam nos demais setores. Considerada a área mais dinâmica do hospital, a rotina do pronto-socorro acontece em um tempo acelerado devido a alta procura por pacientes – desde os que apresentam sintomas leves aos que correm risco de vida. Mas a expectativa de ambos é a mesma: um atendimento rápido e eficaz – o que se torna um desafio diário às instituições e profissionais da enfermagem que buscam constantemente equalizar os atendimentos e necessidades.

Para Maria Fernanda Gatti, gerente de Práticas Assistenciais da linha do Paciente Crítico do grupo Americas Serviços Médicos, do UnitedHealth Group Brasil, o desafio dos profissionais da enfermagem na Emergência está nesse equilíbrio do atendimento. Há 29 anos na área, Fernanda é responsável por avaliar toda a linha do paciente crítico e os cuidados da enfermagem que estão sendo dispensados, não só na Emergência e Pronto-Socorro como Unidades de Terapia Intensiva. 

A gerente acredita que a capacitação profissional é fundamental no dia a dia de quem atua no setor. “A grande característica do enfermeiro que atua na emergência é entender a dinâmica e se adaptar a realizar suas atividades, enxergando isso como parte do contexto assistencial. Não temos o mesmo tempo para tomar decisões assistenciais quando comparado a uma Unidade de Internação. É uma área que pede constante capacitação pela alta tecnologia utilizada – principalmente na UTI – por tratar de monitores invasivos, sistemas específicos e que necessitam de reciclagem”, conta Fernanda.

Com a chegada da pandemia do Coronavírus, a procura de pacientes por unidades hospitalares reduziu, segundo a gerente. “O cenário tem mudado muito e acredito que isso seja um legado da pandemia, tanto de aprendizado por parte do paciente – que reduziu a ida desnecessária ao PS – quanto de toda a estrutura que a telemedicina trouxe (e que veio para ficar). As pessoas estão aprendendo a utilizar o recurso para consultas de menor complexidade”, afirma Fernanda. 

Entre abril e julho a demanda dos PS é alta devido às doenças respiratórias, criando uma sazonalidade, afirma Fernanda Gatti. “Não é possível estruturarmos uma área para atender cerca de 10 mil pacientes em quatro meses enquanto nos demais há um fluxo de 6 mil pacientes por mês. A gestão de trazer mais colaboradores para épocas de sobrecarga é uma grande tarefa; e nosso papel como liderança é entender todas essas características e equalizar o todo para que o atendimento seja entregue e o paciente saia satisfeito”, diz. 

Os setores de atendimento da enfermagem no Pronto-Socorro

No pronto atendimento existem quatro áreas básicas: triagem, sala de emergência (ou área vermelha), área de medicação e observação. Na triagem, os enfermeiros são responsáveis por averiguar e classificar o risco do paciente, entendendo quem deve passar na frente de acordo com o que for percebido pelo profissional durante o primeiro contato. A sala de emergência recebe pacientes críticos com risco iminente à vida – e os enfermeiros que atuam nela são capacitados e possuem habilidade durante uma parada cardiorrespiratória, por exemplo. 

Na sala de medicação, pacientes com vários tipos de queixa coletam exames e aguardam retorno para receber alta ou encaminhamento indicado – e é papel do enfermeiro gerenciar o cuidado para que ninguém piore durante a assistência ou demore para receber uma devolutiva. Por fim, a área de observação concentra também pacientes graves e que necessitam de mais tempo sob o cuidado da enfermagem, muitas vezes monitorados e que pedem por exames complexos.

Para Fernanda, o enfermeiro emergencista precisa também desenvolver a habilidade do cuidado, além do conhecimento técnico em si. “Na internação emergencial lidamos com pacientes que exigem alimentação, banho, acompanhante e mais informação o tempo todo, diferente da ala de medicamento, por exemplo. E, ao mesmo tempo, são pacientes que estão sob monitoramento e exigem um cuidado mais crítico. Sempre digo que o profissional que atua nesse setor é porque realmente ama o que faz, pois são desafios diários”, finaliza.

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