Entenda o papel fundamental dos profissionais de enfermagem que atuam na saúde do idoso

Enfermeiros e enfermeiras têm como objetivo manter ao máximo a autonomia e o autocuidado do idoso, favorecendo a participação ativa na busca do bem-estar e da qualidade de vida 

A população idosa aumenta significativamente a cada ano no mundo e, no Brasil, representa 13% dos cidadãos – somando mais de 23 milhões de indivíduos acima dos 60 anos segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ainda segundo uma pesquisa da QualiBest em 2015, 77% dos brasileiros temem a velhice devido aos problemas de saúde associados à idade – mas o papel da saúde primária está justamente em promover maior autonomia com segurança e qualidade aos idosos.

O cuidado individualizado faz parte da rotina da enfermagem na assistência de pacientes de qualquer idade e circunstância, mas os idosos requerem maior compreensão desses profissionais. A enfermeira Jane Cristina da Silva atua no setor de Endoscopia da Unidade Americas Medicina e Saúde em São Paulo (SP) e trabalha há bastante tempo com a população acima de 65 anos. Responsável pela integridade dos pacientes desde a chegada à unidade até o término do exame, ela conta que a atenção com os mais velhos precisa ser redobrada.

“Nosso papel é receber e preparar os pacientes de forma adequada e individualizada para cada procedimento. O exame de colonoscopia, por exemplo, exige uma preparação específica como uso de medicação prévia, dieta restritiva e, em alguns casos, é preciso interná-los para evitar risco de desidratação, ânsias de vômito ou hipotensão durante a preparação. Toda e qualquer pergunta ou informação antes de um procedimento é ainda mais importante quando falamos de pessoas em situações mais frágeis”, conta Jane. 

Orientar e explicar sobre determinados procedimentos são desafios na hora de instruir os pacientes da terceira idade, afirma Jane. “O idoso requer um cuidado maior e um olhar diferente por tudo o que viveu. Geralmente, são pessoas resguardadas e mais frágeis em um nível orgânico e que possuem comorbidades, então é preciso trabalhar um outro plano de cuidado”, diz a enfermeira.

Com experiência na assistência de pacientes mais novos, a enfermeira diz que é preciso desconstruir crenças no cuidado com os mais velhos. “Naturalmente, os idosos possuem questões motoras e exigem um preparo mental maior da enfermagem. São indivíduos com costumes enraizados, cultura própria e os profissionais da saúde precisam entender e compreender as ideias, pensamentos e todo o processo de vida pelo qual eles passaram”, completa.

“Não são os idosos que precisam nos entender e sim nós, profissionais da saúde, que devemos compreender e respeitar o momento de vida deles”, lembra Jane. “Existe um conflito de gerações e nosso papel é instruir, orientar e mostrar a importância de determinadas ações, mostrando o benefício e a longevidade que podem trazer – sempre de forma calma, clara e tranquila”, finaliza.

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