Estomaterapia: conheça a especialidade da enfermagem no atendimento a lesões

Área é responsável pela integridade da pele e aumento expressivo da qualidade de vida de pacientes acometidos 

A estomaterapia é uma especialidade da enfermagem voltada para o cuidado de pacientes com estomias, feridas (agúdas e crônicas), fístulas e incontinência anal e urinária. O enfermeiro ou enfermeira estomaterapeuta atua na prevenção e no tratamento de lesões em prol da qualidade de vida, integridade da pele e bem-estar do paciente. Além do cuidado assistencial preventivo, o acolhimento e promoção do bem-estar ressaltam a importância desses profissionais.

Para Elen Lopes Gonçalves Alves, enfermeira estomaterapeuta do Hospital Pasteur, no Rio de Janeiro (RJ), a especialidade é fundamental no processo de cuidar. Responsável por analisar e atender pacientes de todas as áreas do hospital, ela faz parte do projeto Comissão de Curativos e Cuidados com a Pele, uma iniciativa do Pasteur que abre espaço para a área com objetivo de promover segurança, qualidade assistencial e de vida a pacientes. 

“Avaliamos se o paciente tem perfil para desenvolver uma lesão desde a admissão no hospital. A enfermagem em geral analisa o ‘todo’ e a estomaterapia atua na análise de riscos para prescrever a melhor conduta de prevenção e/ou tratamento para que não surjam lesões – ou que o devido tratamento aconteça em caso de desintegração da pele”, conta Elen. 

A enfermeira diz ainda que se identifica muito com esse universo com que trabalha. Na enfermagem há seis anos, Elen reforça também a importância do cuidado individual e do trabalho em equipe para que os processos de segurança sejam cumpridos com êxito.

“Existe uma equipe multidisciplinar por trás da assistência como, a dermatoterapia, cirurgião plástico, fisioterapeuta, farmácia, SCIH (Serviço de Controle de Infecção Hospitalar), nutrologia e nutrição. Costumo dizer que somos ‘amigos’ da enfermagem em busca do mesmo propósito: a melhor qualidade e segurança assistencial ao paciente”, afirma ela.

Os procedimentos utilizados na estomaterapia permitem que o tratamento ocorra beira-leito. Segundo Elen, há casos de pacientes internados por uma patologia ou diagnóstico que descobrem uma lesão por consequência da doença-base. 

“Muitos pacientes chegam com uma pneumonia, recebem o devido tratamento, recebem alta, mas são portadores de uma lesão ou uma ferida – e são orientados a permanecer no hospital. Fazemos a análise desses pacientes, classificamos e prescrevemos a melhor conduta, tudo com a possibilidade de fazer à beira-leito, otimizando o tratamento e proporcionando uma qualidade de vida melhor a eles”, completa. 

Recursos da estomaterapia

Com a enfermagem cada vez mais especializada, a estomaterapia conta com mecanismos próprios para um cuidado eficaz, como colchão pneumático – feito de ar para insuflar e desinsuflar em pontos estratégicos do corpo, mudança de decúbito de duas em duas horas, espuma siliconada em caso de saliência óssea (evitando abrir lesão) e Creme Barreira, com uma película protetora para que a urina não tenha contato com a pele, evitando dermatite ou fissuras na região. 

“Utilizamos todos esses mecanismos para o tratamento e prevenção e trabalhamos a conscientização com toda a equipe. Uma ferida simples pode virar uma lesão grave – e é preciso cuidar, ter sensibilidade e prever possíveis riscos. Hoje, minha maior meta é que não hajam lesões e que pacientes voltem à rotina sem nenhum trauma”, finaliza Elen. 

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