Estudo aponta que enfermeiros estão mais propensos à depressão

Pesquisa da Universidade de Ohio mostra que, entre os 1.790 enfermeiros entrevistados, a maioria considera sua saúde física e mental abaixo do ideal

A cultura de bem estar e ambientes de descompressão são temas presentes na maior parte das empresas nos últimos anos. Promover a saúde física, mental e emocional dos colaboradores traz benefícios tangíveis – como a redução de erros, faltas e aquisição de novos talentos. Na área da saúde, o assunto se torna ainda mais sério. Responsáveis pelo cuidado e amparo efetivo de pacientes doentes ou com vida em risco, os enfermeiros enfrentam diariamente o estresse em busca de calmaria e precisam estar atentos a mudanças.

Um estudo da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, apontou que a depressão é uma das doenças mais comuns entre enfermeiros – e está ligada a uma maior probabilidade de cometer erros. Entre os profissionais ativos entrevistados, 71% relataram estar com a saúde física e mental abaixo do ideal.

Para a enfermeira Isabella Gonzaga, do Hospital Panamericano do Rio de Janeiro, RJ, o excesso de trabalho, a falta de estrutura e autocuidado podem acarretar não só a depressão como a síndrome de burnout (esgotamento físico e mental intenso). Por conhecer colegas que enfrentam ou já enfrentaram a doença, a carioca se previne: utiliza o jump (atividade física na cama elástica) para driblar os problemas do dia a dia. 

“A cama elástica me dá força para seguir firme no trabalho, principalmente em tempos de pandemia. Com as academias fechadas, pular ajuda a relaxar, além de contribuir para a minha saúde física e mental. Tenho amigas psicólogas que me incentivam a terapia e acredito muito na importância de ser assistido. Conversar é essencial para adotar visões de mundo”, conta a enfermeira.

Sempre atenta com a própria saúde, Isabella precisou adaptar a alimentação quando notou o aumento de gasto calórico nos dias de trabalho. Sua relação de cuidado e atenção com a área começou, na verdade, aos seis anos, quando precisou ser internada às pressas ao ser diagnosticada com inépcia abdominal – uma memória difícil mas misturada com o carinho que ela sentiu por parte dos profissionais de enfermagem que cuidaram dela. 

Hoje, a enfermeira percebe a importância do cuidado (e do autocuidado). “Achava incrível o amor e manuseio de medicações da equipe quando era pequena. Depois daquela experiência, cresci com o objetivo de fazer parte daquele universo e ajudar o próximo. Hoje, com cinco anos de carreira, meus olhos brilham quando falo da minha profissão. E é por isso que observo ativamente meu corpo e mente, pois para servir com excelência é preciso estar apto”, finaliza Isabella.

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