Fake news: como os enfermeiros lidam com o excesso de informação no combate à COVID-19

Profissionais da saúde ficam em alerta diante das fake news para preservar a saúde mental no trabalho

Com a tecnologia cada vez mais presente em nossas vidas, os smartphones passaram a ser a tela principal no dia a dia. Com o aparelho na mão e auxílio da internet, o acesso à informação está mais rápido – mas nem todas as consequências disso são positivas. Segundo dados colhidos pela Organização Mundial da Saúde em 2019, por exemplo o Brasil é considerado o país com maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno. E o uso de tecnologia tem sua participação nisso.

Na área da saúde, a ansiedade é ainda mais presente. Em tempos de pandemia pelo novo Coronavírus, os profissionais que atuam na linha de frente precisam de cuidado ao lidar com a velocidade da internet. Para os enfermeiros, o excesso de notícias após um dia de plantão pode prejudicar a saúde mental no trabalho. É o que conta o enfermeiro Ricardo Aguiar, de 40 anos, que acredita na influência negativa das fake news (notícias falsas) no trabalho.

“É inevitável sentir medo ou insegurança nesse momento em que vivemos, então procuro não assistir noticiários para não alimentar ainda mais o medo. Se buscarmos o tempo todo por informação, entraremos em pânico. Quando saio do hospital e chego em casa, procuro focar na minha nova rotina de cuidados e recorrer a pesquisas científicas, teorias e dados certeiros. A nossa profissão pede por estudo constante, conhecimento e atenção ao novo, mas é preciso cuidar da saúde mental em primeiro lugar”, comenta Ricardo. 

Há 19 anos na enfermagem, o paulista atua no Pronto Socorro Adulto do Hospital Pitangueiras, da Rede amil, em Jundiaí (SP). Recentemente, ele perdeu o pai para a COVID-19. Abalado com a situação, Ricardo procura alternativas para manter a mente sã nesse momento de pandemia.

“O vírus está mais próximo de nós do que imaginamos e, infelizmente, afetou meu pai, que nos deixou aos 68 anos. Apesar de estar frente a frente com o risco de contaminação, me sinto protegido e amparado no trabalho – mais do que na rua ou mercado, por exemplo. Então procuro seguir uma boa alimentação para estar bem nutrido e manter a imunidade alta, além da rotina de treino que adaptei em casa. Dedico 40 minutos de exercício todos os dias e durmo cerca de oito a nove horas por noite. Acredito que dessa forma eu consiga manter viva minha saúde física e mental”, finaliza Ricardo. 

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