Hemodinâmica: conheça mais sobre essa especialização da enfermagem

Entenda como os enfermeiros atuam no diagnóstico e procedimentos terapêuticos 

O curso de enfermagem é um dos mais procurados para quem deseja ingressar na área da saúde. Tão ampla quanto a medicina, os enfermeiros podem se especializar em diversos campos, como cardiologia, pediatria, neurologia, ortopedia, ginecologia e obstetrícia, urgência, emergência e trauma e outras áreas de atuação. Entre os diversos ramos, o estudo do coração é o mais procurado, mas, nos últimos anos, um diagnóstico ágil da cardiologia ganhou destaque e uma especialização própria: a Hemodinâmica.

A Hemodinâmica estuda as artérias – tanto as coronárias (coração) quanto as do cérebro e vascular periféricas. O exame visa avaliar por meio de imagens a condição de pacientes que apresentam problemas cardíacos como infarto, AVC, arritmias, hemorragias internas graves, tromboses vasculares, aneurismas arteriais. O setor recebe desde pacientes em observação a estado grave ou de emergência. E por ser considerado um procedimento minimamente invasivo, ainda possibilita aos pacientes uma recuperação mais rápida e segura.

A paulista Ana Paula Furlanetti Dias Pereira Sanchez, de 36 anos, é enfermeira especializada em Hemodinâmica há 10 anos. Apaixonada pela arte do cuidar desde pequena, iniciou a carreira profissional em UTI Neonatal – sua primeira especialização. Ao ser convidada para assumir a equipe de uma clínica de Hemodinâmica, aceitou o desafio e guiou sua carreira para os estudos e cuidados do coração. Hoje, trabalha no Hospital Carlos Chagas ao lado de dois técnicos de enfermagem e se diz realizada.

“Sou apaixonada pelo que faço. Geralmente, recebemos pacientes eletivos ou extremamente graves que chegam ao pronto-socorro e precisam ser atendidos em 60 minutos (ou no máximo em 120). Quanto mais rápido atendemos um paciente infartado, por exemplo, menor o risco de sequela e maior a chance de sobrevivência. É muito gratificante ‘dar a vida’ de volta”, diz Ana Paula. 

Segundo ela, cerca de 90% dos pacientes fazem o procedimento com anestesia local, então é interessante sempre conversar durante o exame para que fiquem tranquilos e confiantes. “É nosso dever esse cuidado, afinal, estamos ‘invadindo’ seu corpo, inserindo um cateter no coração”, comenta ela.

Com duração máxima de uma hora, o exame é realizado, geralmente, pela artéria radial (pulso) e através da punção radial, com um introdutor, o cateter é inserido junto com o contraste para fazer o caminho das coronárias do paciente. Usando raio-X e de acordo com as imagens e diagnóstico do corpo médico – junto a equipe de enfermagem -, se houver obstrução, é realizada a desobstrução em minutos. Para a enfermeira paulista, o setor de Hemodinâmica é fundamental para uma análise ágil e eficiente.

“Antigamente, o tratamento de um paciente infartado, por exemplo, era a cirurgia cardíaca – abrir o peito, cortar o osso, acessar o coração e então dar um nó com aço e esperar cicatrizar. Depois da Hemodinâmica, o tratamento, na maioria dos casos, é feito com o que chamamos de ‘diagnóstico terapêutico’, com duração máxima de uma hora. É uma honra, pra mim, poder contribuir com tantas histórias de final feliz”, comenta a enfermeira. 

“Procuramos, a cada dia, prestar a melhor assistência ao paciente. Assim que é feito o exame, ele é encaminhado direto para clínica médica ou UTI. Criamos uma rotina de visita no dia seguinte para checar se o local da punção está dolorido, se há hematoma e se estão bem emocionalmente. Os pacientes sempre nos dão um retorno positivo do início ao fim e me sinto realizada todos os dias por isso”, finaliza Ana Paula. 

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