Medicina integrativa: o que é e como a enfermagem atua no setor
Práticas complementares auxiliam no bem-estar e na promoção da saúde de pacientes oncológicos e sob cuidados paliativos
As medicinas tradicionais, complementares e integrativas (MTCI) – denominação utilizada pela Organização Mundial da Saúde – são um conjunto de práticas complementares ao tratamento medicinal convencional que promovem o cuidado individual através de recursos terapêuticos, olhando o ser humano em sua totalidade como um ser único formado por corpo, mente e espírito e não só como uma doença.
Entre as práticas integrativas, o reiki, toque terapêutico, barra de access, ioga, meditação, aromaterapia e auriculoterapia são algumas das atividades que auxiliam na promoção da saúde, prevenção e recuperação de pacientes de modo geral (não havendo contraindicação) – principalmente em pacientes oncológicos e paliativos – preservando os aspectos sociais e culturais desses indivíduos.
Apaixonada pela medicina integrativa desde o início da carreira, a enfermeira Camila Carneiro de Camargo do Hospital Samaritano Higienópolis (SP) atua no setor de Práticas Assistenciais, criado há pouco mais de um ano, e implementou no início de 2020 um projeto piloto de práticas integrativas para acompanhar a evolução de pacientes e tangibilizar os benefícios das terapias complementares.
“Essas práticas permitem colocar o paciente no centro do cuidado, tornando-o o ator principal do processo a partir de uma abordagem holística. O ser humano passa a ser visto não como uma doença e sim como uma pessoa que, além de estar em um processo de doença, têm uma bagagem emocional, espiritual, familiar e social – e que precisa ser visto como um todo”, afirma Camila.
Resultados que chamam a atenção
Com formação em toque terapêutico, Camilia aplicou a técnica em alguns pacientes oncológicos adultos do Samaritano a convite de uma médica nutróloga da unidade. A partir das primeiras aplicações, a enfermeira pôde notar os efeitos positivos e a chance de o projeto ser implementado e ampliado para todos os setores da instituição – oferecendo espaço a outros profissionais que se identificam com as práticas.
O toque terapêutico é uma técnica que trata e equilibra o indivíduo a partir da imposição das mãos e com objetivo de reduzir o quadro de dor, ansiedade ou depressão (não havendo toque físico). Sem ligação com crenças religiosas, o método se mostra proveitoso no combate ao estresse e até no sistema imunológico de pacientes, destaca Camila.
“O resultado da técnica em alguns pacientes foi incrível e muitos relataram melhora no quadro de ansiedade, qualidade do sono, redução da dor e sentimento de bem-estar. A partir dessas devolutivas, o setor de oncologia pediátrica abriu espaço para a técnica e o feedback com as crianças foi ainda melhor”, conta a enfermeira especialista.
A quebra do preconceito e desafios do setor
Com as devolutivas positivas, o projeto ganhou força, mas precisou ser interrompido devido a pandemia da COVID-19. A expectativa, agora, é que além do toque terapêutico, outras terapias sejam implementadas na instituição.
“Hoje somos sete pessoas nesse projeto e a ideia é trazer, de alguma forma, colaboradores com formação em terapias complementares para ampliar nosso leque de cuidado e satisfação de pacientes de todos os setores, não só da oncologia adulta e infantil. Além da ampliação, nosso desafio está em vencer as crenças de alguns pacientes para que permitam experienciar técnicas que influenciam consideravelmente no resultado do tratamento”, diz Camila.
“Minha maior missão e objetivo como enfermeira é poder oferecer as práticas integrativas ao maior número de pacientes para que eles possam sentir a melhora no corpo e na mente. Quero que esse fio de esperança que a medicina integrativa proporciona floresça em cada paciente para que, com a força interna de cada um, os benefícios sejam ainda maiores e mais satisfatórios”, finaliza ela.
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