#NovembroAzul: Precisamos falar de saúde masculina

O câncer de próstata é a segunda doença que mais atinge os homens - e a prevenção e busca ativa são fundamentais para a saúde masculina 

Se o câncer é visto como um estigma social, quando se trata de saúde masculina ele é ainda maior. Apesar de vivermos em um mundo de avanços tecnológicos e de fácil (e rápido) acesso à informação, alguns tabus e preconceitos relacionados à saúde do homem existem; e movimentos de conscientização como o #NovembroAzul têm como objetivo esclarecer e promover a busca pela prevenção ativa e autocuidado do gênero masculino em relação ao câncer de próstata.

Quando falamos de câncer de próstata, os números são altos: até maio de 2020, mais de 65 mil homens foram diagnosticados com a doença e novos casos aumentam a cada ano segundo dados do Instituto Nacional de Câncer. Ainda segundo o INCA, esse é o tipo de tumor que mais mata homens – depois do câncer de pele não melanoma. Vista mundialmente como a maior força de trabalha na área da saúde, a enfermagem tem um papel fundamental no combate de doenças e no cuidar – e, principalmente, na prevenção delas.

A enfermeira navegadora Adriana Aparecida de Oliveira atua no setor de Oncologia do Hospital Samaritano Higienópolis (SP) e conta que o medo é o sentimento predominante nos homens quando o tema é câncer. Há oito anos atuando com pacientes oncológicos, ela afirma que é preciso quebrar o conceito negativo associado ao câncer para que a prevenção e autocuidado passem a ser rotina na vida de todos. 

“Notamos um medo por parte dos homens em relação ao que pode ser encontrado durante a busca ativa. Percebo que não há resistência em procurar a equipe de saúde, mas o diagnóstico em si é o grande decisor para que muitos evitem ou adiem os exames de rotina. Alguns costumam até justificar com aquela frase de ‘quem procura, acha’ e acredito que esse sentimento gera um bloqueio que, de certa forma, dificulta a cultura necessária do autocuidado”, conta Adriana.  

Como facilitadora de processos, a enfermeira navegadora busca estratégias para facilitar o percurso do paciente oncológico desde o diagnóstico da doença ao fim do tratamento. Certa de que a prevenção é essencial para o tratamento, Adriana acredita que cada câncer tem um nome e sobrenome – e entender o estadiamento da doença é essencial para atingir um resultado ainda melhor.

“É sabido que quanto mais precocemente descobrimos uma alteração como o câncer, as chances de cura e qualidade de vida são ainda maiores e com melhores condições de tratamento. Como enfermagem, nosso papel é orientar e conscientizar os pacientes para que nos relatem qualquer alteração ou sintoma que percebam – e isso se aplica para qualquer doença ou patologia”, afirma a enfermeira. 

Para Adriana, o maior desafio da oncologia está no estigma que a doença traz. “O medo em relação aos efeitos colaterais do tratamento e a morte ainda são presentes e, por mais que existam avanços significativos que visam minimizar os efeitos colaterais do tratamento, é uma doença que consideramos estigmatizante, infelizmente”, observa ela. 

“É preciso vencer o tabu do câncer, principalmente na saúde masculina. Alguns homens só procuram ajuda quando percebem alguma alteração e é preciso que entendam que, quando feito o exame previamente, a chance de cura ou sobrevida em casos positivos de diagnóstico é de até 90% dos casos. Temos que incentivar o autocuidado e a quebra de crenças limitantes”, finaliza. 

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