Novos (antigos) hábitos: como acontece o uso de EPIs na época de pandemia

Enfermeiros redobram os cuidados ao utilizar equipamentos de proteção para evitar a contaminação do vírus SARS-CoV-2

Cuidado e higiene são palavras que fazem parte do dia a dia dos profissionais da saúde há um tempo. Mas, em época de pandemia do Coronavírus, a atenção precisou ser dobrada. Mais expostos, os técnicos de enfermagem e enfermeiros têm três vezes mais chances de contaminação – o que gera mudanças no protocolo de segurança da categoria. Com a atual realidade, o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) aumentou e, com isso, uma nova rotina surgiu.

Além dos equipamentos de segurança tradicionais, como luvas, óculos, touca e máscara, o jaleco e o face shield (protetor facial)ganharam importância, entrando para lista de itens obrigatórios durante a jornada de trabalho. Para a Aline Oliveira da Silva, enfermeira assistencial da Unidade Intensiva do Hospital Pasteur, no Rio de Janeiro, o uso de EPIs é crucial para a prevenção da COVID-19. Segundo a carioca, a preocupação em ter materiais de proteção próximos ao paciente e nos corredores é unânime. 

“Antes tínhamos a preocupação de usar os equipamentos de proteção, mas de uma maneira mais simples. Sabíamos da importância em nos proteger e proteger os pacientes em momentos específicos de procedimento, por exemplo, mas era algo remoto. Hoje, a necessidade desses materiais é real, é notória. O risco de contaminação está próximo a nós, então o uso dos EPIs se tornou ainda mais essencial”, diz Aline.

A rotina da carioca é a mesma há quatro meses: ao chegar em casa, tira os sapatos, coloca as vestimentas da rua e uniforme de trabalho na máquina de lavar, separa os pertences como crachá, chave e celular para higienizá-los, e toma um banho completo. Ela adotou os desinfetantes concentrados além do álcool em gel para eliminar qualquer possibilidade de contaminação. Com uma filha de um ano e o marido em casa, Aline precisou estabelecer hábitos novos – e ainda sente os efeitos da mudança. “Tudo é muito difícil pra nós, enfermeiros, pelo receio de contaminar nossos familiares. Lidamos o tempo todo com pacientes que estão infectados e não podemos fazer a quarentena, já que estamos na linha de frente”, conta. Aline conhece o impacto do vírus: “eu contraí o vírus no início da pandemia e, na época, minha filha tinha entre sete e oito meses. Parei de amamentar por receio da contaminação e foi um período conturbado. Não podia pegá-la no colo e ela, por ser pequena, não entendia a situação. Tinha que cozinhar, arrumar a casa, ajeitar as coisas dela. O uso dos EPIs, então, são uma realidade antiga, mas que ganharam um novo grau de importância, nos ajudando muito”, finaliza a enfermeira.

Mais conteúdos