O uso de EPIs no combate à COVID-19 se mantém como peça-chave na rotina dos profissionais

A paramentação e desparamentação feitas pelos enfermeiros são fundamentais no cuidado diário

A rotina dos profissionais da saúde mudou desde o surgimento da COVID-19. Em tempos de pandemia, o uso de EPIs (Equipamento de Proteção Individual) é imprescindível no enfrentamento do vírus. Diariamente, as máscaras, luvas, touca e aventais descartáveis, face shield (protetor facial) e óculos de proteção são fortes aliados da equipe de enfermagem. Mas o processo de paramentação e desparamentação desses itens são fundamentais para evitar contaminação – e exige máxima atenção.

A auxiliar de enfermagem Samari Evelyn, de 28 anos, conta que foi preciso se adaptar aos protocolos de segurança da Clínica Médica do Hospital Ipiranga de Arujá (SP), onde atua há quatro anos. Na linha de frente do combate à COVID-19 desde meados de abril, a baiana afirma que ainda é difícil lidar com a situação. Na busca diária por controle emocional e saúde mental, ela acredita que é preciso estar atento a cada ação, pois a contaminação é iminente.

“Eu estava de férias no início da pandemia e, quando retornei ao trabalho, no começo de abril, me deparei com outro ambiente – repleto de regras e protocolos. Foi desesperador. Fazíamos uso de máscara e luvas apenas com pacientes em situações específicas, mas hoje os EPIs são fundamentais para nossa saúde e a do paciente. Se eu realizar de forma incorreta a desparamentação de qualquer um dos equipamentos, posso me contaminar, então ficamos apreensivos o tempo todo”, comenta Samari.

O uso de EPIs faz parte da vida da auxiliar de enfermagem – que também adaptou novos cuidados de higiene no lar. Durante as seis horas de plantão, passa álcool em gel nas mãos a cada retirada de equipamento e, na sequência, lava as mãos com sabão. Em casa, além do uso de álcool em gel e sabão, utiliza água sanitária para desinfetar as roupas e calçados da rua. Samari conta que pretende seguir os novos hábitos até que a situação esteja completamente controlada. 

Ao lado de colaboradores que enfrentaram na pele o vírus SARS-CoV2 , a auxiliar de enfermagem acredita que o maior desafio da profissão, nesse momento, é lidar com o emocional. E não transparecer medo ou insegurança aos pacientes é uma luta diária para Samari. “Tem dias que estou no meu limite, principalmente quando perdemos um paciente. Não há equipamento de proteção que esconda nosso sentimento”, conta a enfermeira. 

Como distração, ela procura na atividade física um alívio. Em casa, assiste a filmes e séries e busca apoio em sua fé. Segundo ela, o equilíbrio entre mente e corpo sempre foi importante, mas a pandemia reforçou ainda mais a necessidade do autocuidado.

“A maior lição desse momento é que nunca é tarde para aprender. Aprendo todos os dias com meus pacientes que a vida realmente é um ‘sopro’. Em questão de minutos podemos não estar tão bem quanto estamos agora. É preciso sabedoria para aproveitar cada minuto que temos”, finaliza Samari. 

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