Outubro Rosa: a enfermagem e seu papel fundamental na prevenção do câncer de mama e de colo do útero

Enfermeiros e enfermeiras oncologistas são responsáveis por acolher, direcionar e encaminhar pacientes com câncer na busca pela qualidade de vida

O Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama e, mais recentemente, de colo do útero. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 1,1 milhão de mamografias foram realizadas pelo SUS entre janeiro e julho de 2020 – número alarmante em relação ao período do ano anterior, 2,1 milhões. De acordo com o ministério, a redução na procura pelo exame tem a ver com a pandemia do Coronavírus – quando as mulheres evitaram os postos de saúde e unidades laboratoriais para o diagnóstico precoce.  

A enfermagem exerce papel fundamental na saúde da mulher e no encaminhamento de pacientes de primeira vez no diagnóstico do câncer. Mas para Débora Esteves Monteiro, supervisora de enfermagem do Americas Oncologia no Rio de Janeiro (RJ), o diagnóstico precoce é fundamental para a sobrevida e qualidade de vida. “Quanto mais cedo fazemos exames e nos cuidamos, maior chance de sucesso. Ninguém melhor do que nós mesmas para conhecer o nosso corpo e dizer o que há de diferente”, afirma Débora.

O tratamento postergado e o diagnóstico tardio podem resultar em uma série de complicações para quem enfrenta o câncer (de maneira geral) – e a qualidade de vida pode ser comprometida. “Quando a mulher é diagnosticada com câncer de mama, ela passará em algum momento por uma modalidade de tratamento – seja cirúrgico ou quimioterápico – e terá sua vida alterada”, explica a supervisora. 

“A gente enxerga o estigma do câncer com um significado negativo, associado à morte; e quando falamos do câncer de mama, a maioria dos protocolos têm a perda do cabelo associada. Isso tem um significado muito forte para a maioria das mulheres porque elas veem a doença na identidade; elas se veem com câncer”, diz ela.

Débora aponta que as questões emocionais da mulher precisam ser levadas em conta pela enfermagem durante o tratamento, equipe responsável pelo acolhimento e cuidado. “A retirada da mama tem uma representatividade muito grande na vida de uma mulher, e todas as questões emocionais precisam ser levadas em consideração. São mulheres que precisam de acolhimento e da escuta. Precisamos ter uma sensibilidade e entender o aquela pessoa necessita naquele momento e ter a palavra certa para fazer o processo o menos doloroso possível”, finaliza.

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