Pandemia: o que mudou na rotina dos profissionais da enfermagem no Home Care

A saúde mental dos enfermeiros e técnicos de enfermagem que atuam em domicílio fica em cheque em tempos de COVID-19

Saúde mental e autocuidado são temas presentes na vida dos profissionais da enfermagem. Expostos diariamente no combate a COVID-19, enfermeiros, técnicos e auxiliares buscam a cada dia equilíbrio e força para seguir firme na luta. Para os que estão à frente da assistência domiciliar, a dificuldade em lidar com adversidades causadas pela pandemia é ainda maior: o receio de familiares e pacientes que associam a contaminação do vírus SarS-CoV-2 a eles.

Com a pandemia do novo Coronavírus, a profissão sofreu mudanças na rotina de trabalho. Os EPIs (Equipamento de Proteção Individual) – antes utilizados em casos específicos e, na maioria, apenas óculos e luvas – passaram a ser regra fundamental, acrescentando a máscara N/95, jaleco, face shield e avental descartável. As visitas de auditoria foram suspensas ou prolongadas e a assistência diária de pacientes com alta complexidade foi espaçada para três vezes na semana. 

Para Giseli Figueiredo, enfermeira regional do Home Care da rede Amil, no ABC (SP), equilibrar a saúde mental nos últimos meses foi tarefa quase impossível. No cuidado domiciliar há 21 anos, ela é responsável por uma equipe de sete enfermeiros e cerca de 250 pacientes mensais – e, acredita que a autocobrança aumentou durante a pandemia. 

Enxergamos o paciente por ‘inteiro’ no atendimento domiciliar – não só a doença em si, mas todos os problemas familiares, emocionais e até financeiros. É uma carga alta”, comenta a enfermeira.

Giseli conta que foi preciso muito equilíbrio mental durante esses meses de adaptação e incertezas. “As famílias não queriam nos receber por medo e nos associavam como os portadores da doença. Muita coisa precisou ser mudada. Foi assustador, na verdade, uma luta mental e física constante para não demonstrar medo ou insegurança a eles”, diz. 

A pressão do trabalho também aumentou, segundo a enfermeira regional. Já habituados com o modelo home office (trabalho em casa), os poucos encontros presenciais na sede administrativa foram substituídos por videochamadas e a ‘solidão’ passou a ser ainda maior. “Os enfermeiros e técnicos que atuam em domicílio são prestadores de serviços e foi preciso administrar o medo desses profissionais ao lidar com a incerteza do vírus e o clima hostil, digamos assim, entre alguns pacientes e colaboradores”, conta Giseli. 

Ela explica que, além do trabalho administrativo e assistencial, a categoria lida com reclamações, atende dúvidas das equipes externas que passam por situações de intercorrência médica e conflitos familiares, o que exige muita resiliência, dedicação e amor à profissão. 

Sempre atenta à sua saúde, Giseli vem buscando no lazer formas de vencer as aflições do dia a dia. “Procuro equilibrar meu espírito diariamente e faço atividade física para extravasar a mente. Acredito que todos os lugares e profissões tenham prós e contras, mas a partir do momento em que você exerce o que ama e se doa todos os dias, a recompensa é imensa”, finaliza

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