Por que escolher enfermagem? 

A arte do cuidar: conheça a área dos heróis da saúde responsáveis pelo combate à COVID-19

Antes de a pandemia pelo novo Coronavírus se iniciar, a Organização Mundial da Saúde decretou 2020 como O Ano da Enfermagem. Diante da maior crise epidêmica do Brasil – e do mundo – os profissionais da saúde se uniram e, graças ao trabalho em equipe dos nossos heróis, a situação no país é encarada de frente todos os dias. Com a ascensão da área em um momento difícil, os enfermeiros ganham olhares atentos de jovens e adultos que buscam seguir a mesma carreira.

Entre os campos de atuação, a enfermagem tem como objetivo o cuidado com o paciente. Mas, mais do que cuidado, um enfermeiro necessita cuidar – o que requer empatia, pensamento crítico, interesse pelo problema e busca por soluções mais adequadas ao indivíduo que se encontra vulnerável. É preciso também cautela, zelo, controle emocional e, acima de tudo, responsabilidade afetiva. 

Qual a principal diferença entre enfermagem e medicina? 

Apesar de estarem lado a lado todos os dias, o que difere a carreira de enfermagem da medicina é o tempo de estudo. Enquanto a graduação em enfermagem dura cerca de quatro anos com aulas de meio período, o que possibilita conciliar trabalho com os estudos, o curso de medicina exige seis anos de dedicação em tempo integral. Ambas possuem áreas distintas, mas que também se relacionam no dia a dia. 

Entenda as características e diferenças de cada profissão:

Enfermagem 

O enfermeiro é responsável por prestar os primeiros socorros, coletar materiais para exames, administrar medicamentos, monitorar os sinais vitais e fazer curativos, entre outras funções – inclusive administrativas, bastante importantes para manter organização e eficiência. Mas, além das atividades técnicas, é preciso empatia e resiliência para seguir a profissão. 

São os enfermeiros que acompanham o paciente durante o tratamento, desde a entrada no hospital ou clínica, cuidando para que as prescrições médicas sejam cumpridas; e, na maior parte do tempo, são eles o elo dos familiares. Como auxiliares, são responsáveis por atualizar e manter a ficha do paciente em ordem e relatar ao médico toda e qualquer situação. 

O campo da enfermagem é amplo: hospitais, clínicas médicas, home care (atendimento domiciliar), resgate e urgências, atendimento em empresas estão entre as áreas de atuação. Assim como a medicina, os enfermeiros podem se especializar em cardiologia, oncologia, ortopedia, cirurgia, pediatria, obstetrícia e muitas outras áreas.

Medicina

A medicina tem como objetivo diagnosticar doenças, distúrbios e outros problemas relacionados à saúde. Ao detectar a patologia ou enfermidade, é de responsabilidade do médico propor um tratamento adequado e acompanhar o paciente – com auxílio e suporte da equipe de enfermagem. São profissionais responsáveis pela manutenção e restauração da saúde humana em prol da vida.

Assim como na enfermagem, a área de atuação na medicina é ampla e, entre as especialidades como cardiologia, pediatria, ortopedia, neurologia e outras, há também diversos campos para exercer a profissão: pronto-socorro, clínica ou consultório médico, emergência, empresas, resgate ou na área de pesquisa científica.

A escolha pela enfermagem 

Há 11 anos na área, Cristiane Fernandes, responsável pelo Pronto Socorro Adulto do Hospital Carlos Chagas, em São Paulo, ingressou na carreira depois de perder a mãe para o câncer. Incentivada por ela – que atuava como técnica de enfermagem – a paulista deixou a atividade como autônoma para trilhar o caminho na saúde. Hoje, aos 41 anos, se sente realizada com a escolha da profissão.

“O sonho da minha mãe era que eu estudasse enfermagem e seguisse os mesmos passos dela. Ela faleceu aos 43 anos com câncer de pulmão e, depois disso, passei a estudar. Sempre ouvi dela que na vida temos ‘um chamado’ e, por mais que a gente ‘fuja’, uma hora trilhamos o caminho certo”, diz Cristiane. “E hoje me encontrei! Não me vejo fazendo outra coisa além de cuidar do próximo e todo meu amor serviu de inspiração para minha filha mais velha que, aos quase 22 anos, optou em seguir os passos da avó também”, completa.

Certa de que seguiria na área desde o início dos estudos, Cristiane acredita que o maior desafio da profissão é sair do plantão com a sensação de ‘dever cumprido’. Para a paulista, cada dia de trabalho é uma experiência nova: pacientes diferentes, casos novos, adversidades e pouca rotina. Durante a graduação de enfermagem, se viu esgotada por administrar o estudo com dois empregos, mas o amor e respeito pelo cuidar falou mais alto em sua mente e coração. 

“Sempre digo à minha filha que enfermagem é amor. Já vivenciei muitas histórias, mas, entre tantas lembranças, uma me marcou bastante: uma jovem de 26 anos diagnosticada com câncer no estômago. Foram quatro longos meses de convivência desde que foi diagnosticada. Viramos amigas! Acompanhei a queda de cabelo e a raspagem, recebia mensagens e ligações fora do hospital. Durante minhas férias, ela precisou ser internada e em pouco tempo veio a óbito. Lembro dela chegar e pedir a outros enfermeiros pelos meus cuidados e atenção. Foi minha primeira paciente nessa instituição onde estou há nove anos. E, desde então, tive mais certeza da escolha da minha profissão”, finaliza Cristiane.

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