#RelatoDeUmEnfermeiro: como os desafios no combate à COVID-19 foram vencidos em equipe

A enfermeira Vanessa Ribeiro Pardauil, coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Panamericano (RJ), fala a respeito dos desafios enfrentados na linha de frente do combate ao novo Coronavírus.

“Há 13 anos atuando como enfermeira, nunca vi nada parecido. A pandemia do novo Coronavírus trouxe dias difíceis, de luta e dor, mas trouxe também muita resiliência para nós profissionais da saúde. Pode parecer estranho, mas todo esse ‘caos’ me trouxe felicidade e realização. 

Fui a responsável por coordenar toda a equipe do Centro de Terapia Intensiva destinado ao tratamento de pacientes com COVID-19. Fizemos uma mudança estrutural e colocamos os colaboradores da Central de Material e Esterilização, Centro Cirúrgico, Emergência e da Unidade de Internação na linha de frente do combate ao vírus. Alguns tiveram muito medo de contrair a doença e contaminar seus entes queridos; outros se cobraram profundamente com receio de não saber cuidar dos pacientes. 

Foi uma tensão muito grande acolher aqueles profissionais. A maioria nunca havia atuado no CTI – e a carga emocional de lidar com eles em um momento tão sensível foi o maior desafio que já enfrentei até hoje. Graças a todo o suporte dado pelo Hospital Panamericano (sem demagogia alguma), conseguimos escrever uma linda história de muitas vitórias, aprendizados e superação. 

Ao longo dos meses, desenvolvemos um trabalho incrível e essencial para a luta diária de cada um – colaboradores e pacientes. Todos os dias fazíamos chamadas de vídeo com os familiares e parentes (muitas vezes de outros países) dos internados, campanhas de fotos e mensagens penduradas de entes queridos; houve um ‘corredor de palmas’ a cada alta, entre outras iniciativas. O hospital cuidou da alimentação dos funcionários do setor de COVID-19 e sempre havia um doce, um refrigerante ou uma comida saborosa. 

O acolhimento fez toda diferença para nós. A gratidão das famílias era um combustível diário para cada um e nos uniu de uma forma inexplicável – isso não tem preço. Nós sentimos muito medo e confesso que foram poucos os dias em que não chorei. Mas buscava força na equipe; choramos juntos, dividimos as angústias e nos apoiamos em todos os segundos de trabalho. Viramos um time só, sem importar nomenclatura ou cargo. E todo o trabalho foi dando cada vez mais força a todos. 

É difícil dizer o quanto foi gratificante e quanta lição de vida tiramos disso tudo. Nunca imaginamos ver colaboradores de outros setores, que nunca tocaram em pacientes, hoje, ‘ensinando’ outros colegas. A entrega de cada um foi de corpo e alma.

Lutamos. E sobrevivemos! ‘Devolver’ os colaboradores aos seus respectivos setores foi difícil, mas uma das maiores retribuições foi ver a gratidão desses funcionários; notar o quanto cresceram como seres humanos, profissionais e colegas de trabalho. Assistir os pacientes saindo bem e uma equipe completamente mista, ainda mais unida, vale mais do que qualquer coisa. E a maior lição disso tudo é que sozinhos não somos ninguém, mas juntos somos mais fortes”. 

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