Semana do Paciente: os cuidados extras da enfermagem na pediatria

O trabalho de orientação e educação dos profissionais da saúde com crianças é redobrado; pais têm papel fundamental no cuidado

A hospitalização infantil pode gerar desconforto e sofrimento às crianças por conta da distância do lar e rotina. Para os profissionais da enfermagem que atuam na pediatria, a atenção e o cuidado no tratamento de crianças é dobrado. Com o papel de orientar não só a criança, mas também os pais e/ou responsáveis, os enfermeiros precisam ainda ressaltar a importância da atuação dos familiares no tratamento dos pequenos.

Segundo a enfermeira especializada em pediatria Adriana Maria Lopes, o apoio familiar é fundamental para que o trabalho da enfermagem aconteça da melhor forma. Natural do Piauí, a enfermeira atua há 26 anos na pediatria e hoje lidera uma equipe de 11 enfermeiros e 23 técnicos no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro. Para ela, é preciso ter jogo de cintura ao tratar os mais novos. 

“O adulto expressa o que sente e evidencia as aflições; já a criança não sabe dizer o que sente e é preciso trazer a mãe ou adulto responsável ao ambiente para que ele possa falar mais sobre ela. A abordagem com os adolescentes e principalmente com os pré-escolares é feita de maneira lúdica para que eles entendam a importância da participação ativa para a continuação do tratamento”, conta a enfermeira. 

Embora o setor de Terapia Intensiva Pediátrica seja um local repleto de tecnologia e alta performance, a enfermeira acredita que é preciso transformar o ambiente ‘frio’ no mais acolhedor possível. “Usamos algumas estratégias para que os protocolos e procedimentos não tragam sofrimento nem à criança nem à família. Nosso papel é proporcionar um ambiente seguro aos pequenos e reforçar aos responsáveis que todas as decisões são em prol da recuperação do paciente. Quanto mais clara for a informação, melhor a receptividade e entendimento do adulto”, afirma Adriana.

O papel dos pais no cuidado dos pequenos

A carioca Hannah Almeida Rosenda, de 38 anos, reconhece a importância da atuação dos pais no tratamento dos pequenos. Sua filha mais velha Ana Clara, de 13 anos, nasceu com uma cardiopatia congênita e enfrentou três cirurgias cardíacas – a mais recente em junho deste ano, durante a pandemia do novo Coronavírus. Ciente do próprio papel de cuidado para a recuperação da filha, ela enaltece o trabalho educativo da enfermagem.

“Sou muito grata a todo o suporte e ajuda da enfermagem nesses anos de cuidado com a Ana. Acredito que o trabalho desses profissionais caminha junto com o dos pais, porque se não falarmos a mesma língua, a coisa não flui. Se eles nos orientam e repassam tudo com clareza, fazendo a gente entender o que é preciso pôr em prática, tem tudo para dar certo”, afirma Hannah.

Aos seis anos, a pequena Ana desenvolveu uma trombose durante a segunda cirurgia cardíaca e a enfermagem entrou em ação para orientar Hannah na continuidade do tratamento. “Eles me orientaram e ensinaram a aplicar uma injeção anticoagulante na minha filha para eu não depender de ninguém e seguir o tratamento. Essa orientação foi de suma importância para mim: me vi independente, forte, sabendo cuidar da minha filha com as próprias mãos. Só tenho a agradecer e reconhecer a importância da enfermagem em nossas vidas”, finaliza Hannah. 

Ana Clara Almeida de Sousa e sua mãe Hannah Almeida Rosendo

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