Enfermagem: profissão do presente e do futuro atrai atenção na pandemia

A área da saúde ganhou destaque nos últimos anos graças ao avanço da ciência e da tecnologia. Mais recentemente, chamou a atenção de muitos devido ao enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus – um desafio diário para os profissionais que atuam na linha de frente dessa e outras enfermidades. A árdua rotina desses heróis no combate à COVID-19 sensibilizou o mundo e conquistou olhares de quem deseja dedicar a vida aos cuidados com o próximo.

A carreira de enfermagem é uma das mais completas e integrativas na área da saúde – e tem sido a mais procurada mundialmente. Seu amplo leque de especialidades permite que os profissionais atuem em todos os ambientes clínicos – seja com crianças, idosos, vítimas de violência, traumas. Além de serem extremamente importantes no atendimento emergencial, por exemplo, os enfermeiros se colocam próximos dos pacientes e familiares, transmitindo orientação, conforto e força. 

Os enfermeiros têm acesso a informações que, muitas vezes, podem auxiliar no tratamento e diagnóstico de um paciente, tendo papel fundamental para evolução de quem se encontra vulnerável. Para o Paulo Matheus Pereira, a enfermagem pode ser traduzida em uma palavra: amor. Aos quase 34 anos, o paulista atua como técnico de enfermagem há sete. Iniciou a carreira em uma clínica geriátrica, passou pelo atendimento de pronto-socorro adulto, migrou para internação pediátrica e hoje trabalha na UTI pediátrica do Hospital Santa Helena, da rede Amil, em São Paulo. Realizado, Paulo não tem dúvida de que fez a escolha certa. 

“Além de ser uma área ampla para crescer profissionalmente, existem diversas maneiras de ajudar ao próximo, seja em clínica, hospital, emergência ou administrativo. Prestar esse cuidado é muito gratificante não só profissionalmente, mas como ser humano. Nós criamos um elo de carinho com cada paciente e os vemos quase como filhos; se estão alegres, nos alegramos também, mas se estão tristes, sofremos junto. A dedicação e sentimento de troca não tem preço”, explica Paulo.

Considerada uma profissão que ganhará ainda mais solidez no futuro, a trajetória da enfermagem é longa – e vencer as próprias limitações é uma missão para quem deseja seguir a carreira, segundo Paulo Pereira. Com o auxílio da tecnologia, o mercado ganha força e consequentemente cresce a demanda por profissionais especializados, mas é preciso além de técnica e dedicação, alerta ele.

“Atenção, cuidado e empatia são fundamentais no nosso dia a dia, além do conhecimento técnico. Às vezes não temos respostas. Ou, quando temos, nem sempre são positivas. O nosso maior desafio é demonstrar força àquelas pessoas, e trabalhar o psicológico é fundamental para levantar a cabeça diariamente e seguir com disposição e afeto. Fazemos o possível e impossível para ser a diferença na vida daquelas pessoas. E cada evolução é uma vitória para todos nós”, finaliza o enfermeiro.

Novos (antigos) hábitos: como acontece o uso de EPIs na época de pandemia

Cuidado e higiene são palavras que fazem parte do dia a dia dos profissionais da saúde há um tempo. Mas, em época de pandemia do Coronavírus, a atenção precisou ser dobrada. Mais expostos, os técnicos de enfermagem e enfermeiros têm três vezes mais chances de contaminação – o que gera mudanças no protocolo de segurança da categoria. Com a atual realidade, o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) aumentou e, com isso, uma nova rotina surgiu.

Além dos equipamentos de segurança tradicionais, como luvas, óculos, touca e máscara, o jaleco e o face shield (protetor facial)ganharam importância, entrando para lista de itens obrigatórios durante a jornada de trabalho. Para a Aline Oliveira da Silva, enfermeira assistencial da Unidade Intensiva do Hospital Pasteur, no Rio de Janeiro, o uso de EPIs é crucial para a prevenção da COVID-19. Segundo a carioca, a preocupação em ter materiais de proteção próximos ao paciente e nos corredores é unânime. 

“Antes tínhamos a preocupação de usar os equipamentos de proteção, mas de uma maneira mais simples. Sabíamos da importância em nos proteger e proteger os pacientes em momentos específicos de procedimento, por exemplo, mas era algo remoto. Hoje, a necessidade desses materiais é real, é notória. O risco de contaminação está próximo a nós, então o uso dos EPIs se tornou ainda mais essencial”, diz Aline.

A rotina da carioca é a mesma há quatro meses: ao chegar em casa, tira os sapatos, coloca as vestimentas da rua e uniforme de trabalho na máquina de lavar, separa os pertences como crachá, chave e celular para higienizá-los, e toma um banho completo. Ela adotou os desinfetantes concentrados além do álcool em gel para eliminar qualquer possibilidade de contaminação. Com uma filha de um ano e o marido em casa, Aline precisou estabelecer hábitos novos – e ainda sente os efeitos da mudança. “Tudo é muito difícil pra nós, enfermeiros, pelo receio de contaminar nossos familiares. Lidamos o tempo todo com pacientes que estão infectados e não podemos fazer a quarentena, já que estamos na linha de frente”, conta. Aline conhece o impacto do vírus: “eu contraí o vírus no início da pandemia e, na época, minha filha tinha entre sete e oito meses. Parei de amamentar por receio da contaminação e foi um período conturbado. Não podia pegá-la no colo e ela, por ser pequena, não entendia a situação. Tinha que cozinhar, arrumar a casa, ajeitar as coisas dela. O uso dos EPIs, então, são uma realidade antiga, mas que ganharam um novo grau de importância, nos ajudando muito”, finaliza a enfermeira.

Terapia se torna iniciativa importante para os profissionais da saúde

A psicologia é uma ciência que trata dos estados e processos mentais, do comportamento do ser humano e suas interações com um ambiente físico e social. Na enfermagem, ela se torna fundamental para a preparação do profissional ao lidar com a realidade de trabalho. O paciente, ao ser acometido por uma doença, entra em um estado de abalo emocional, de medo e angústia, fazendo com que o papel do enfermeiro vá além – e acolher e escutar o enfermo e seus familiares com empatia e atenção pede também um cuidado pessoal. 

Ao mesmo tempo em que se cuida do outro, é preciso cuidar de si. Assim, a terapia ou acompanhamento psicólogo está cada vez mais presente na vida dos profissionais da saúde. É o caso da Karin Cristina da Silva, enfermeira da Clínica Médica e Oncologia do Hospital Santa Helena, em São Caetano do Sul (SP). Casada com um enfermeiro e mãe de duas crianças, ela optou pela terapia como aliada. 

“Desabafo meus medos e anseios na terapia, um acompanhamento com um psicólogo fundamental para que a rotina de casa não seja prejudicada. Eu ainda tenho muita dificuldade em separar as coisas, mas optamos por não compartilhar muito o trabalho até para evitar que nossos filhos ouçam”, comenta ela. 

Vinda de uma família de enfermeiros, Karin cresceu assistindo de perto a rotina da mãe e a dedicação diária que pede a profissão. Apaixonada pela área em que atua há 25 anos, a paulista (natural de Votuporanga) não se vê fazendo outra coisa na vida – e enxerga o trabalho de um modo muito próprio. 

“Trabalhar é, em si, uma terapia pra mim. Meus pacientes mandam mensagem, querem atenção e conversar. Brinco que somos como terapeutas e amigos, além de enfermeiros. Nos tornamos uma referência aos pacientes e familiares, e é preciso estar bem para servir de força. Hoje, especificamente, estamos ansiosos para que se defina a situação da COVID-19, então são dias longos onde cuidar da mente é necessário”, finaliza Karin.