#RelatosDeUmEnfermeiro: a enfermagem é gigantesca

“A enfermagem sempre foi importante, mas, hoje, é muito mais: ela é gigantesca. Quando um paciente é internado, o único contato que está ao lado dele 24h por dia somos nós. E isso gerou uma rede de amor, acolhimento e gratidão que nos toca profundamente.

Às vezes, pessoas traqueostomizadas, que quase não falam, encontram formas de balbuciar e agradecer o nosso cuidado – e como isso não mexeria com a gente? Até porque não só os pacientes: os familiares, apesar do menor contato, são extremamente gratos. E, para nós, dar a notícia da alta é uma alegria tremenda!

Temos relatos de parentes que voltaram ao hospital para compartilhar com a gente como a pessoa recuperada está feliz e alegre por estar junto de quem mais ama. Isso é muito chocante e nos faz muito bem – é esse resultado que a gente espera alcançar ao vir para o trabalho.

A Florence Nightingale dizia que a enfermagem é uma arte com a qual a gente consegue colorir um pouco a vida de alguém – sem usar tela ou lápis, mas com zelo, dedicação e amor. E isso ficou muito mais claro durante a pandemia.

Toda profissão na área da saúde é bonita, mas a nossa é uma coisa que me deixa sem palavras. Estamos ali 24h por dia e, no meu caso, dentro de uma UTI. E essa dedicação e amor que transmitimos ao paciente, que às vezes ficam 20 dias ou mais sem ver a família, é muito importante. E garanto: eles retornam esses sentimentos para a gente.

Essa troca de carinho e ajuda reforçou ainda mais o que sempre acreditei: enfermagem é amor. Amor na relação com o paciente, com os familiares e entre a nossa equipe.

Eu, enquanto Simone Bonacin e mãe, aprendi a querer ter minha família ainda mais perto de mim. A gente tem medo, o momento é delicado, mas a importância de quem a gente ama e de pessoas queridas ficou ainda mais clara com tudo que vivi nos últimos meses.”

#RelatosDeUmEnfermeiro: “sem a Enfermagem não tem saúde”

“A pandemia não me fez enxergar minha profissão de forma diferente, pois o que faço agora não difere do que eu fazia antes – sempre existiram pacientes graves/gravíssimos. O que aconteceu foi que desde o início da pandemia nosso trabalho foi intensificado em um nível jamais imaginado por nós, porque é um cenário de guerra que já vem se estendendo há mais de um ano. Depois de todas as experiências, eu só valorizo mais a nossa profissão e vejo o quanto ela é indispensável. Sem a Enfermagem não tem saúde.

O enfermeiro está presente desde a porta de entrada até a saída do paciente. Ele é que “dá a liga” na equipe multidisciplinar: faz a ponte entre todos os profissionais e gerencia a unidade, estando sempre em contato com as demais áreas de apoio – como a equipe médica assistente – e trabalhando de frente para o paciente, escutando suas demandas.

A Enfermagem faz o cuidado direto, afere sinais vitais, administra os medicamentos, auxilia na alimentação e na higiene… Quanto mais dependente for um indivíduo, mais ela vai atuar – e, muitas vezes, são as nossas mãos e os nossos ouvidos que estão disponíveis para tratar e escutar as queixas dos pacientes e de seus familiares.

Porém, nem tudo são flores: no início da pandemia recebemos aplausos das pessoas e até tivemos destaque, mas isso durou pouco e passamos a ser mal compreendidos por parte da população. Alguns chegaram a ser agredidos no transporte público, vizinhos – e até mesmo familiares – nos viam como potenciais vetores do vírus. Felizmente, aqui dentro de nosso hospital recebemos apoio de nossos pares e principalmente da chefia, o que ajudou muito a chegarmos até aqui.

Ainda assim, estar inserida nesse ambiente de luta não tem sido fácil. Moro com minha irmã, que tem uma condição de fragilidade, e por um período de 6 meses fui morar fora por conta do potencial risco de contágio para ela. Não tem como essa situação não te impactar como filha, irmã, tia, amiga… Ficamos fisicamente longe de pessoas com as quais nos importamos.

Inclusive, passei também pela experiência de cuidar de um colega enfermeiro, de quem eu recebia o plantão e que estava comigo na linha de frente. Ele foi contaminado, adoeceu e precisou ser internado. A gente sempre se comunicava e ele dizia que estava muito cansado, a voz dele ao telefone não o deixava mentir. Quando ele piorou, eu segurei o choro: não podia chorar na frente dele, só prometi que ia cuidar muito bem do meu colega.

Ele acabou sendo intubado e foi um período de muita angústia, por se tratar de um dos nossos – mas quando a gente chegava perto dele e o tocava, a saturação subia, e isso também nos animava. Para ele não se sentir só, eu deixava meu celular tocando música ao seu lado. Alguém me disse que ele gostava de pagode: ficou tocando horas, por dias. E assim foi, até que ele finalmente se recuperou e voltou para a equipe.

Foi um momento de muita comemoração e foi lindo, mas o engraçado foi quando ele me perguntou de qual ‘bar’ vinha aquele pagode, pois ele tinha vontade de levantar do leito do hospital e ir lá brigar com o dono. Ele disse que achava uma falta de respeito ter festa, música alta enquanto tinha tanta gente doente. Eu ri demais quando descobri que na verdade ele detesta pagode e gosta mesmo é de música clássica. Mesmo sedado, ele lembrava da música que coloquei para ele ouvir durante a internação – e agora continua aqui conosco, firme e forte!”

Eu, Enfermagem soma mais de 70 histórias de enfermeiros(as), técnicos(as) e auxiliares de enfermagem

Antes mesmo de o cenário mundial para a saúde se apresentar como vemos hoje, o ano de 2020 já estava dedicado à enfermagem pela Organização Mundial da Saúde devido aos 200 anos da categoria moderna – criada pela precursora Florence Nightingale. Uma coincidência valiosa, com certeza. Tida hoje como a maior força de trabalho na saúde do país, a profissão conquistou olhares atentos desde que a doença causada pelo Coronavírus foi denominada como pandemia. E diante do caos gerado pelo vírus SarS-CoV-2 nesses mais de 300 dias de enfrentamento da doença, os mais de 2 milhões de profissionais da área tiveram um papel crucial no combate à COVID-19. 

Com o propósito de dar voz aos mais de 200 mil enfermeiros(as), técnicos(as) e auxiliares brasileiros, o UnitedHealth Group Brasil criou o projeto “Eu, Enfermagem”, um espaço virtual de troca entre profissionais da área com conteúdos educativos e atualizações da categoria com o intuito de acender o protagonismo de cada um. Em pouco mais de cinco meses – desde que o portal foi ao ar – mais de 70 colaboradores compartilharam histórias, momentos e aprendizados marcantes; foram relatos emocionantes e que transformaram a vida uns dos outros.  

“Em um ano tão desafiador quanto 2020, a enfermagem foi colocada em evidência aos olhos de todos, tornou-se protagonista e a importância desses profissionais em nossas vidas ficou clara. O UHG nos contemplou com esse espaço onde os profissionais da área puderam demonstrar suas atuações corajosas em depoimentos emocionantes com tudo o que vivenciaram nesse período conturbado. Em nome de todos da Amil, sinto orgulho de fazer parte de um grupo que não mede esforços para reconhecer nossos heróis da saúde”, Luzia Helena Ferrero, gerente de Práticas Assistenciais da Amil.

Além dos conteúdos escritos sobre curiosidades dos setores, campanhas comemorativas, diferentes atributos e áreas de atuação, o portal “Eu, Enfermagem” contou com dois episódios em vídeo sobre o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e o funcionamento de uma UTI em tempos de pandemia. Ao todo, mais de 14 mil usuários navegaram pelo site e contemplaram os temas criados cuidadosamente para proporcionar uma troca de experiência proveitosa e sábia entre todos. 

“A enfermagem vem buscando há tempos o empoderamento profissional e a pandemia evidenciou e destacou a atuação desses profissionais, permitindo uma valorização maior da categoria. O projeto proporcionou uma troca de enfermagem para enfermagem a partir de temas que impactam diretamente esses indivíduos, além de atualizações e insights que serviram à prática assistencial. Esse canal elucidou nossa missão e valores de forma bastante singular, com um cunho educativo e que traduz exatamente como o UHG quer apoiar todos esses profissionais”, Virginia Paraizo, diretora de Práticas Assistenciais do Americas Serviços Médicos.

Sem dúvida, foi um ano de muita luta, dedicação e superação e, graças a união e coragem de cada um dos nossos heróis da saúde, a batalha de enfrentamento à COVID-19 segue, mas com mais clareza e segurança para todos e todas. E para nós, poder traduzir o dia a dia dessa categoria foi um prazer e um privilégio – e seguiremos contando suas histórias e enaltecendo essa profissão. Sempre juntos.

Vivência no Centro Cirúrgico auxilia técnicos de enfermagem que querem migrar para a Central de Material e Esterilização

Responsável por garantir a limpeza, acondicionamento, esterilização e distribuição de todos os artigos médicos hospitalares, a Central de Material e Esterilização é conhecida como o “coração hospitalar” – e é através dela que os setores dão continuidade à assistência ao paciente. A CME trabalha para evitar riscos de infecção hospitalar e promover melhor segurança assistencial. Mas, apesar da importância do setor, a área é pouco conhecida pelos profissionais que optam em seguir a carreira na enfermagem. 

Para Marcia dos Santos Custodio Dias, coordenadora de enfermagem da CME do Hospital Pan-Americano (RJ), o setor exige dos profissionais comprometimento e paixão por processos. “Aos que querem migrar ou iniciar a carreira na CME, é preciso muita dedicação para entender e seguir a risca todos os protocolos e burocracias. Recebemos diversos instrumentos e para cada material há um protocolo a ser seguido e direcionado de maneira específica ao setor de origem”, conta Marcia.

Desde a retirada do material utilizado nas unidades à limpeza e esterilização de fato de cada item, o processo pode durar mais de três horas (dependendo do instrumento e precedente), segundo a coordenadora. “Aprender e entender o que acontece com cada material, como será usado e o que é preciso ser feito é um aprendizado mais demorado devido a importância e necessidade da atenção extrema ao manusear cada equipamento”, observa ela.

A vivência prévia no Centro Cirúrgico faz toda diferença para os técnicos(as) e enfermeiros(as) que atuam na CME por se tratar do setor que mais demanda instrumentos e materiais esterilizados, segundo Marcia. “Todas as unidades de um hospital passam pela nossa central, mas o CC tem uma peculiaridade ainda maior”, comenta ela. A principal missão da enfermeira está em mostrar às equipes como o material será utilizado no paciente para facilitar a visualização e reforçar a importância de cada etapa às equipes. 

“Diferente de quem está imerso no Centro Cirúrgico e que enxerga e entende o que será realizado no paciente, nossa equipe não sabe o fim do instrumento; fazer com que todos(as) compreendam o motivo daquele objeto passar por um processo longo de limpeza e esterilização é fundamental para que os protocolos sejam seguidos de forma correta e segura a todos”, afirma a coordenadora.

Ao ser perguntada sobre o maior desafio como gestora, Marcia acredita que quebrar vícios de colaboradores é uma etapa a ser vencida. “Mudar hábitos é mais difícil do que treinar profissionais iniciantes – e nossa maior missão é que todos os colaboradores e colaboradoras da CME entendam e sigam nossos protocolos de forma adequada e correta, sem qualquer risco aos nossos pacientes e demais colegas de profissão”, finaliza. 

“A enfermagem também precisa ser cuidada” – a importância da medicina do trabalho na saúde primária

Conhecida como a “profissão da empatia”, a enfermagem é responsável pelo cuidado de pacientes por meio da assistência direta ou indireta e está presente em todos os setores de um núcleo hospitalar. Com uma rotina de trabalho bastante dinâmica e, muitas vezes exaustiva (fisicamente e mentalmente), enfermeiros(as), técnicos(as) e auxiliares de enfermagem também precisam de cuidado e atenção.

A medicina do trabalho é um conjunto de práticas para a manutenção do ambiente profissional e atividades ocupacionais que tem como objetivo zelar pela saúde e integridade de todos os colaboradores de uma instituição, promovendo bem-estar e segurança através de campanhas, eventos, treinamentos e, principalmente, a busca ativa – onde são realizados exames de rotina.  

Para Thais de Souza Salim, enfermeira do trabalho do Hospital Pan-Americano (RJ), cuidar de quem cuida é fundamental para que o ambiente hospitalar seja seguro ao paciente e ameno aos profissionais. “Todos os colaboradores precisam estar aptos a prestar um melhor atendimento e de qualidade ao paciente e nosso trabalho é zelar pela saúde física e mental de todos através de ações diárias e cuidado com cada indivíduo”, conta Thais.

Entre as ações propostas pelo setor como as campanhas de Outubro Rosa, Novembro Azul e exames clínicos, são feitas rondas diárias em cada unidade para checar as condições estruturais do ambiente – como materiais e EPIs, por exemplo. Com um planejamento minucioso em mãos, a enfermagem do trabalho une esforços para promover o bem-estar e o autocuidado dos demais colegas diariamente.

“A enfermagem está presente em diversos setores e nosso papel (como enfermagem também) é orientar a todos para que realizem os exames de rotina e participem ativamente das campanhas propostas. Cada setor nos exige uma atenção maior: os que estão expostos ao risco são realizados exames específicos de sangue e eletrocardiograma completo, por exemplo. São práticas importantes e necessárias para que esses colaboradores se sintam acolhidos e seguros sempre”, afirma a enfermeira.

Para ajudar na promoção e busca ativa da saúde, o setor conta com a ajuda de outras três áreas: Educação Continuada, Manutenção e Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, explica Thais. “Quando vemos que há algum risco ou falha no setor, acionamos as equipes de manutenção ou o SCIH para que o processo de prevenção e promoção da saúde de fato aconteça”, diz ela. 

“Fazemos um controle de todos os colaboradores que chegam a nós de forma espontânea ou acionada para realizar os exames e é gerado um relatório com o perfil de cada funcionário indicando quais foram feitos, quantos ainda precisam ser colhidos e os resultados. Nossa meta é que 100% das equipes passem por esse processo e costumamos batê-la sempre, o que é um ótimo indicador para nós”, emenda Thais.

O maior desafio do trabalho está em vencer as crenças de cada um, segundo a enfermeira. “Alguns colaboradores têm receio de expor os problemas pessoais por achar que podem interferir no dia a dia ou nas tomadas de decisão gerenciais – e nosso papel é justamente criar um ambiente acolhedor a esse colaborador para que ele venha sempre até nós, sem medo”, diz ela. 

Ao ser questionada sobre o maior objetivo da área, Thais foi pontual. “Nosso dever é conscientizar o colaborador sobre o protagonismo dele dentro do papel ocupacional na saúde. Devemos entender cada funcionário em sua essência, suas motivações e crenças para entender o que está acontecendo e atuar no foco do problema para tornar um ambiente ameno. Acredito que individualizar cada atendimento e momento com o profissional seja fundamental para esse processo de construção”, finaliza.

“A pandemia ainda não acabou e precisamos seguir as recomendações de segurança” – enfermeira comenta cenário atual da COVID-19

Há pouco mais de nove meses em meio à maior pandemia das últimas décadas, o trabalho dos profissionais de saúde não parou sequer por um minuto. Na linha de frente do enfrentamento do vírus SarS-Cov-2, a enfermagem segue 24 horas à beira-leito no cuidado e auxílio de pacientes internados pela COVID-19. Do período em que foi decretado o cenário pandêmico (março) para os dias atuais (dezembro), quase 7 milhões de brasileiros e brasileiras contraíram o vírus no país – e o número tem aumentado consideravelmente. 

Para Adriana Ribeiro Andrade, supervisora do Pronto-socorro adulto e infantil do Hospital Alvorada (SP), o número crescente de casos é preocupante. Desde que houve a flexibilização no plano São Paulo de retomada, a supervisora acredita que as pessoas “se acostumaram” com a pandemia e, com isso, adotaram uma postura de relaxamento diante à situação. 

“Tenho a percepção de que desde a fase laranja de flexibilização, as pessoas colocaram na cabeça que o vírus está controlado. No último mês e meio – quando entramos na fase verde do plano – a população realmente baixou a guarda e o relaxamento das medidas preventivas básicas e essenciais como a higiene das mãos e do uso de máscara é notório”, afirma Adriana.

Além da ausência do uso de máscara – obrigatória em todo o país – e da higiene constante das mãos, a supervisora alerta para a situação em locais públicos, praias e regiões de grande circulação de pessoas. “O distanciamento social também não tem sido respeitado e isso gera uma situação muito delicada. Nós somos o principal meio de transmissão do vírus e a partir do momento que reduzimos o cuidado, automaticamente pessoas estão sendo contaminadas e morrendo”, observa a enfermeira. 

Os impactos intangíveis da COVID-19

Há 19 anos na enfermagem, Adriana enfrentou outras doenças infectocontagiosas e epidemias como a H1N1 e conta que o Coronavírus ainda é um mistério para todos. ”A diferença entre todas as epidemias que vivi é a agressividade da COVID-19 em um curto período de tempo. Além do fato de desconhecermos a doença inicialmente e até hoje não saber ao certo sobre, nossa vida foi alterada brutalmente. Passamos a viver isolados e a sensação de que a vida ‘parou’ culminou o caos”, desabafa a supervisora. 

O maior impacto da pandemia aos profissionais da saúde foi a incerteza da contaminação e a saúde mental de cada um foi colocada em ‘cheque’, segundo a enfermeira. “Por não conhecermos a doença ou ter noção da gravidade, muitos colaboradores ficaram fragilizados no início e o meu maior desafio foi manter o equilíbrio e serenidade da equipe; estar próxima e presente, proporcionando recursos e apoio emocional para entendermos e vencermos juntos o desafio do Coronavírus”, diz ela.  

A esperança da vacina 

O sentimento de frustração ao se deparar com o número de casos aumentando no país é grande para Adriana. “Só quem está aqui (hospital) sabe o quanto foi e é sofrido para nós o cenário pandêmico; toda a nossa luta, trabalho e coragem para enfrentá-lo de cabeça erguida. Ver que as pessoas não se importam com a gravidade ou que não entendem as complicações que estão sujeitas a ter, é deprimente. Nós da enfermagem seguimos firmes na luta diária e cada vez mais unidos e confiantes para vencer de vez essa pandemia”, desabafa a enfermeira. 

A vacina é uma esperança para todos e Adriana torce para que aconteça em massa o mais rápido possível, mas faz um alerta em relação ao autocuidado. “Não podemos depositar expectativas de que com a vacina, estaremos isentos do cuidado. A COVID-19 veio para nos ensinar, acima de tudo, o quanto somos fortes por enfrentar uma pandemia por mais de nove meses e o quanto precisamos mudar nossa forma de viver, repensar nossas prioridades e atitudes”, finaliza ela.

COVID-19: enfermeira comenta aumento de casos da doença no país

A COVID-19 aflige o mundo desde março deste ano, mês em que a Organização Mundial da Saúde definiu o surto da doença como pandemia. Até agora (dezembro), mais de 72 milhões de pessoas foram acometidas pelo vírus e 1,6 milhão morreram em todo o mundo; só no Brasil, 7 milhões contraíram a doença e mais de 181 mil vieram a óbito. Desde então, agentes e profissionais da saúde se desdobram para combater o Coronavírus e lidam diariamente com o risco de contaminação nesses mais de 300 dias de enfrentamento. 

Há quem olhe para o cenário atual e pense que a situação está controlada ou que estamos cada vez mais perto do fim, mas para a enfermeira Marina Ferreira de Oliveira Nascimento, coordenadora do Pronto-socorro adulto e Emergência do Hospital Pan-Americano (RJ), o aumento de casos nas últimas semanas no país e no mundo é preocupante. 

Diferente do início da pandemia – quando se acreditava que a doença acometia apenas idosos e grupos de pessoas com comorbidades – a “segunda onda” de casos ganhou força no país e os mais novos são o foco de infecção, segundo Marina. 

“É notório que a faixa etária nesse segundo momento da pandemia é um público mais jovem, concentrado entre pessoas de 19 a 50 anos. Hoje estamos mais aptos a lidar com pacientes infectados se compararmos com o início de março, mas ainda é uma doença desconhecida para todos e que exige cuidado e atenção a todo momento”, observa a enfermeira. 

Relaxamento da população e o aumento de internações 

Segundo a enfermeira, houve um relaxamento das pessoas de modo geral em relação às medidas preventivas estabelecidas pela OMS e o Ministério da Saúde. “Acredito que a população brasileira criou a falsa impressão de melhora da pandemia devido à queda de mortalidade em relação à doença, entendendo que a situação está controlada ou foi resolvida. Percebemos no dia a dia o descuido do uso de máscara, da higiene constante das mãos e vemos constantemente aglomerações nas praias e locais de diversão – principalmente no Rio de Janeiro”, conta a coordenadora. 

No combate a COVID-19 desde o início da pandemia, Marina comenta sobre o descuido das pessoas em um momento ainda crítico. “Nós da enfermagem e demais profissionais da saúde vivemos uma vida difícil há mais de nove meses, de medo de se contaminar ou contaminar algum parente. Assistir a esse descuido da população nos gera um sentimento de incapacidade. Lidamos com vida e morte o tempo todo e o cenário fora do hospital nos causa tristeza”, desabafa ela.

Desafios para vencer a “segunda onda” 

A orientação para quem procura o pronto-socorro com suspeita de COVID-19 ainda é a mesma – e a conscientização da enfermagem aos pacientes é ainda maior, aponta Marina.

“A enfermagem tem uma característica de nunca desistir das pessoas e a particularidade de cuidar do outro, de ter compaixão e empatia faz com que não desanimemos ou deixemos de reforçar a importância de respeitar e manter o cuidado para passarmos por essa pandemia”, diz a enfermeira.

“O maior aprendizado da pandemia foi lidar com a vida e a morte o tempo inteiro. Vivemos um cenário desgastante, de ritmo exaustivo de trabalho e que tem sido vencido por todos nós. A COVID-19 ainda é um desafio muito grande e serve de reflexão para todos sobre a valorização da profissão – que conquistou o respeito e olhar do mundo como nunca antes existiu”, finaliza. 

Medicina integrativa: o que é e como a enfermagem atua no setor

As medicinas tradicionais, complementares e integrativas (MTCI) – denominação utilizada pela Organização Mundial da Saúde – são um conjunto de práticas complementares ao tratamento medicinal convencional que promovem o cuidado individual através de recursos terapêuticos, olhando o ser humano em sua totalidade como um ser único formado por corpo, mente e espírito e não só como uma doença. 

Entre as práticas integrativas, o reiki, toque terapêutico, barra de access, ioga, meditação, aromaterapia e auriculoterapia são algumas das atividades que auxiliam na promoção da saúde, prevenção e recuperação de pacientes de modo geral (não havendo contraindicação) – principalmente em pacientes oncológicos e paliativos – preservando os aspectos sociais e culturais desses indivíduos. 

Apaixonada pela medicina integrativa desde o início da carreira, a enfermeira Camila Carneiro de Camargo do Hospital Samaritano Higienópolis (SP) atua no setor de Práticas Assistenciais, criado há pouco mais de um ano, e implementou no início de 2020 um projeto piloto de práticas integrativas para acompanhar a evolução de pacientes e tangibilizar os benefícios das terapias complementares. 

“Essas práticas permitem colocar o paciente no centro do cuidado, tornando-o o ator principal do processo a partir de uma abordagem holística. O ser humano passa a ser visto não como uma doença e sim como uma pessoa que, além de estar em um processo de doença, têm uma bagagem emocional, espiritual, familiar e social – e que precisa ser visto como um todo”, afirma Camila. 

Resultados que chamam a atenção 

Com formação em toque terapêutico, Camilia aplicou a técnica em alguns pacientes oncológicos adultos do Samaritano a convite de uma médica nutróloga da unidade. A partir das primeiras aplicações, a enfermeira pôde notar os efeitos positivos e a chance de o projeto ser implementado e ampliado para todos os setores da instituição – oferecendo espaço a outros profissionais que se identificam com as práticas.

O toque terapêutico é uma técnica que trata e equilibra o indivíduo a partir da imposição das mãos e com objetivo de reduzir o quadro de dor, ansiedade ou depressão (não havendo toque físico). Sem ligação com crenças religiosas, o método se mostra proveitoso no combate ao estresse e até no sistema imunológico de pacientes, destaca Camila.

“O resultado da técnica em alguns pacientes foi incrível e muitos relataram melhora no quadro de ansiedade, qualidade do sono, redução da dor e sentimento de bem-estar. A partir dessas devolutivas, o setor de oncologia pediátrica abriu espaço para a técnica e o feedback com as crianças foi ainda melhor”, conta a enfermeira especialista. 

A quebra do preconceito e desafios do setor  

Com as devolutivas positivas, o projeto ganhou força, mas precisou ser interrompido devido a pandemia da COVID-19. A expectativa, agora, é que além do toque terapêutico, outras terapias sejam implementadas na instituição.

“Hoje somos sete pessoas nesse projeto e a ideia é trazer, de alguma forma, colaboradores com formação em terapias complementares para ampliar nosso leque de cuidado e satisfação de pacientes de todos os setores, não só da oncologia adulta e infantil. Além da ampliação, nosso desafio está em vencer as crenças de alguns pacientes para que permitam experienciar técnicas que influenciam consideravelmente no resultado do tratamento”, diz Camila.

“Minha maior missão e objetivo como enfermeira é poder oferecer as práticas integrativas ao maior número de pacientes para que eles possam sentir a melhora no corpo e na mente. Quero que esse fio de esperança que a medicina integrativa proporciona floresça em cada paciente para que, com a força interna de cada um, os benefícios sejam ainda maiores e mais satisfatórios”, finaliza ela. 

“A falta de conhecimento mata mais do que o medo” – enfermeira comenta sobre a luta contra a COVID-19

“Viver de perto uma pandemia como a do Coronavírus tem sido uma experiência extremamente difícil e diferente de todas as outras nesses 27 anos de enfermagem. Foram momentos marcantes com pacientes, familiares e colaboradores, vivendo o medo e a angústia de infectar nossos entes ou pessoas próximas; de despedidas de colegas e amigos – e só quem viveu à beira-leito consegue ter dimensão de tudo foi (e ainda é) a pandemia. 

Confesso que às vezes me surpreendo e admiro o quanto fomos fortes durante todo esse período. Hoje, estamos mais preparados e sabemos como lidar com os familiares, colaboradores e o próprio paciente; trazer as informações de uma maneira condensada e da melhor forma aos colegas de profissão. Apesar de termos um pouco mais de entendimento passados nove meses, a COVID-19 ainda é um vírus misterioso – e que exige cautela de todos da saúde e da população em geral.

É notório o afrouxamento das pessoas em relação ao cenário pandêmico. Acredito que o pensamento errado de que ‘a taxa de mortalidade caiu e a vacina está quase aí’ tem feito as pessoas se descuidarem e, com isso, a piora considerável de infecção e internação. Para nós que estamos na ponta, assistindo esse aumento gradual de casos, é buscar o controle emocional e seguir com a vigilância da higiene constante das mãos e fazer o uso correto de EPIs para, de alguma forma, levar consciência a todos. 

O sentimento de cansaço da população é preocupante – e creio que a falta de conhecimento mata mais do que o medo. São tempos difíceis e se cuidar é a única exigência para que a vida volte a ser leve de forma segura. É preciso enaltecer a importância da busca pela sabedoria e da informação para que tenhamos consciência dos nossos atos e, acima de tudo, presença diante de situações que ainda vivemos. 

O bem mais precioso e importante que temos é a vida. E a área da saúde nos ensina sobre viver e aproveitar o lado bom dela, que é preciso cuidar muito bem dela. E esse é o maior ensinamento que a COVID-19 nos trouxe.”

Programa “Horizontes” aposta no desenvolvimento comportamental, autogestão e protagonismo da enfermagem

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou 2020 como o ano internacional da enfermagem – período em que é celebrado os 200 anos do legado de Florence Nightingale, a grande precursora e fundadora da categoria moderna. E, desde a chegada da pandemia pelo Coronavírus, a enfermagem conquistou olhares atentos de todo o mundo devido a força, integração e união das equipes de saúde primária no combate à COVID-19 – que evidenciou ainda mais a importância desses profissionais na vida de todos.

Com o propósito de acolher, instruir e desenvolver a maior força de trabalho na saúde do país, o departamento de Capital Humano do UnitedHealth Group Brasil – organização que integra Amil e Americas Serviços Médicos – criou o projeto “Horizontes”, um programa de desenvolvimento comportamental voltado aos profissionais de enfermagem com objetivo de trazer subsídios à área e ampliar as competências comportamentais dos profissionais à experiência do paciente.  

Entenda o programa 

O programa “Horizontes” será dividido em três grandes pilares – capacitação, desenvolvimento e carreira – e a proposta da organização é trabalhar as práticas assistenciais dos colaboradores de forma estratégica, focando no comportamento e autodesenvolvimento de cada um em um ambiente de aprendizagem virtual como o modelo de EAD (Ensino a Distância) adotado na pandemia. 

Entre os principais objetivos do projeto, estão:

  • Alavancar e contribuir para o desenvolvimento do profissional de enfermagem, por meio de uma jornada de desenvolvimento comportamental com diversas soluções de aprendizagem, e incentivar uma cultura de desenvolvimento continua;
  • Abordar temas de reflexões individuais de carreira e o papel de cada um como protagonista na construção da carreira na organização.

O projeto foi desenhado em conjunto com o setor de Práticas Assistenciais, Qualidade e segurança e Agentes estratégicos do Negócio e contará com a Linguagem Comum de Liderança – CLL (metodologia utilizada no UnitedHealth Group) como pano de fundo em  todos os pilares do programa desenvolvimento. 

“A enfermagem é o público mais expressivo da nossa organização. São mais de 18 mil colaboradores dentro do setor e nosso intuito é propor perspectivas ampliadas no que diz respeito à aprendizagem, carreira e desenvolvimento comportamental desses profissionais. Por meio de ferramentas que são tendências de mercado, pretendemos propor elementos que apoiem os profissionais de enfermagem na liderança de cada um e fazer com que enxerguem como estão gerindo a própria carreira”, afirma Joana Vecchia, diretora de Talentos do UHG Brasil.

A importância do comportamento além da técnica 

Para Gisele Rolim, especialista de treinamento do setor de Capital Humano do UHG, a enfermagem requer habilidades que vão além do conhecimento técnico: a autogestão, controle emocional e empatia são fundamentais para os profissionais enfrentarem as adversidades ocasionadas pela área – como no caso da COVID-19.

“Existe um volume de desligamento considerável no setor e, em sua grande maioria, o comportamento é o principal motivo. Isso acontece porque geralmente a avaliação do processo seletivo é voltada mais à competência técnica – e o comportamento do indivíduo nem sempre é avaliado na sua profundidade, até pela agilidade e urgência que geralmente esses processos demandam. Quando o profissional ingressa no dia a dia e no cuidado direto ao paciente, o comportamento se destaca, indo, muitas vezes, na contramão dos nossos valores organizacionais”, explica a especialista. 

Com a ascensão da COVID-19, a saúde mental e o desgaste emocional dos profissionais da saúde foram as principais pautas discutidas durante o ano, tornando o projeto “Horizontes” cada vez mais importante e necessário. Para a diretora Joana, a enfermagem foi colocada à prova diante do pior cenário vivido nas últimas décadas – e estar preparado(a) para enfrentar o desconhecido é essencial para não interferir na assistência  ao paciente.

“A enfermagem vem enfrentando grandes desafios por conta do contexto pandêmico e entendemos que lidar com ambiguidades e incertezas exige competências comportamentais como resiliência e versatilidade, por exemplo –  e são habilidades como essa que trabalharemos no programa Horizontes. Esperamos que o(a) profissional de Enfermagem tenha repertório para reagir às mudanças e adversidades de forma consistente e sólida, indo além da sua capacidade e competência técnica”, afirma Joana.

O importante papel das lideranças

O movimento das lideranças em relação ao programa foi positivo, segundo Gisele. “Percebemos um interesse das lideranças em trabalhar o projeto como um plano de desenvolvimento e de ação de endereçamento da pesquisa de experiência do colaborador – como uma ferramenta de acompanhamento e aprimoramento dos seus times – e visualizar se estão aplicando o conhecimento na prática. Esse envolvimento dos gestores é fundamental para que os colaboradores (e a própria liderança) atuem como protagonistas de suas carreiras”, diz Gisele. 

Ainda segundo a especialista, o treinamento oferecerá suporte e dará embasamento aos profissionais no desenvolvimento de novas práticas comportamentais e na construção de carreira – e ela acredita que o fator pandemia despertará maior interesse e adesão ao programa. 

Para a diretora Joana, o desafio está no engajamento desses profissionais ao modelo online de treinamentos e ensino.

“A pandemia nos permitiu experienciar, de várias formas, o formato digital que tem diversos benefícios como a facilidade e praticidade do acesso, independente de onde o profissional estiver, abrindo possibilidades e ampliando, de certa forma, a capilaridade, abrangência e inclusão dos profissionais aos programas. O nosso desafio, agora, está em transformar o modelo mental de um público acostumado com o físico, o presencial, para o virtual, de treinamento a distância e fazer com que se engajem e se dediquem ao desenvolvimento”, pontua Joana.

“O que vivemos nesses últimos meses nos trouxe a “certeza da incerteza” –  de que podemos sempre ser surpreendidos pelo inesperado, de que o mundo é inconstante e incerto, trazendo diversos desafios – e o profissional da saúde vai precisar se adaptar cada vez mais a situações adversas, como as que vivemos nesse ano. Esse programa é um convite aos nossos profissionais a promoverem o autoconhecimento e aprenderem a lidar com situações que fogem ao seu controle, estimulando não só o crescimento e desenvolvimento profissional, como o pessoal também”, finaliza a diretora.