A segurança do paciente na realização de exames em tempos de pandemia

Na semana do Dia Mundial da Segurança do Paciente, o autocuidado dos profissionais da saúde ganhou destaque na campanha de conscientização promovida pela Organização Mundial da Saúde, neste ano. Fundamental no processo de cuidado e acolhimento, a enfermagem criou e redobrou as medidas de segurança para atender pacientes em tempos de pandemia do novo Coronavírus. 

Dentre as mudanças causadas pela COVID-19, unidades hospitalares criaram estratégias para preservar a segurança dos colaboradores e de pacientes. Uma das áreas afetadas pelas modificações, o Centro de Diagnóstico Por Imagem precisou de medidas preventivas para continuar os atendimentos eletivos com segurança.  

A enfermeira Misma Naama Alvarenga Costa Tukamoto é coordenadora do Centro de Diagnóstico Por Imagem do Americas Medical City, no Rio de Janeiro (RJ), e responsável por gerir toda a equipe de técnicos e enfermeiros dos setores de tomografias, ressonância, raio-X, hemodinâmica, medicina nuclear e outros. Além de administrar a agenda de exames externos, exames de emergência e exames de pacientes internados, Misma é responsável por gerir também os pacientes.

“Nosso papel é oferecer um atendimento satisfatório ao paciente e todo o processo é importante, desde a checagem do nome e data de nascimento na pulseira até o momento em que ele sai do hospital ou retorna ao setor de origem. Nos casos de emergência e de pacientes internados, o cumprimento de horário, checagem da ficha (se é alérgico a contraste, por exemplo) e a capacidade física e estrutural para um melhor atendimento são responsabilidades nossas e requerem atenção e empatia”, conta Misma. 

A tomografia foi o exame mais solicitado durante a pandemia e foi preciso lidar com a alta demanda emocional de pacientes e colaboradores, segundo a coordenadora de enfermagem. “Temos duas salas de tomografia no Americas Medical City e passamos a usar uma delas apenas para pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19. O medo dos pacientes e a insegurança dos colaboradores, no início, foi um desafio para todos, mas hoje estamos conscientes e capacitados para enfrentar qualquer adversidade”, afirma ela. 

O cuidado na realização de exames sempre foi individualizado e, desde a pandemia, protocolos de higiene e proteção passaram a valer também para os pacientes. “É um setor muito dinâmico e que funciona 24 horas. Criamos uma estratégia de contatar pacientes eletivos para checar suas condições e, assim, gerenciar de maneira segura e eficaz a realização do exame – evitando qualquer risco de contaminação”, diz. 

“Passamos a realizar visitas diariamente nas salas de exame para validar os protocolos de segurança – devido a constante atualização dos mesmos – e conversar com os colaboradores, checar as condições dos pacientes com objetivo de tranquilizar e passar confiança a todos”, finaliza Misma.

Entenda a importância da conscientização sobre o autocuidado da enfermagem para a segurança do paciente

A Organização Mundial da Saúde elegeu 2020 o ano internacional da enfermagem com o objetivo de reconhecer e enaltecer o trabalho desses profissionais da saúde – iniciativa criada antes do primeiro caso de Coronavírus se espalhar mundo afora. A Semana do Dia Mundial da Segurança do Paciente – celebrada no dia 17 de setembro – também ganhou uma campanha especial da OMS para destacar a importância da segurança de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem para a segurança do paciente.

Para Luzia Helena Ferrero, gerente de Práticas Assistenciais da Amil, do UnitedHealth Group Brasil, é fundamental que os profissionais de enfermagem estejam atentos à própria saúde – física e mental – para transmitir confiança e segurança ao paciente. Há mais de 35 anos na área administrativa e de gestão da enfermagem, Luzia acredita que o autocuidado deve vir em primeiro lugar.

“Estar seguro de si na assistência prestada, em um ambiente de trabalho apropriado e com a mente sã é de extrema importância no processo de cuidar e bem-estar do colaborador e paciente. Costumo dizer que atividade física, prática de meditação e leitura são estratégias importantes para os profissionais da saúde encontrarem equilíbrio mental”, conta a gerente do grupo Amil.  

Segundo Luzia, a enfermagem sempre seguiu protocolos rígidos de segurança e fez uso dos EPIs (Equipamento de Proteção Individual), mas a pandemia do Coronavírus elucidou ainda mais a importância de se proteger. Uma área em constante transformação, a enfermagem requer disciplina, estudo e conhecimento técnico – além de empatia – para que o trabalho dos profissionais seja entregue com êxito. 

Luzia também destaca a rotina e relacionamento da enfermagem com a equipe multidisciplinar. “A enfermagem está em todas as estruturas organizacionais de saúde e desenvolve um papel fundamental nesse cenário. Por se tratar de uma área complexa e com a tecnologia sempre à frente, a capacitação, segurança e confiança do enfermeiro e enfermeira são de suma importância para um trabalho de sucesso”, afirma.

Verificar e entender o procedimento aplicado com discernimento é primordial no processo de cuidar, mas perguntar em caso de dúvida é necessário, conta a gerente. “O maior desafio da enfermagem é cumpir os diversos papéis que a área demanda para mitigar os riscos que envolvem a jornada de trabalho. Através do próprio bem-estar, da vigia e autocuidado, o profissional de enfermagem tem aptidão suficiente para reduzir riscos e pôr em prática os dois principais pilares da profissão: segurança e qualidade”, finaliza Luzia Ferrero. 

Pacientes oncológicos exigem da enfermagem maior conhecimento técnico e segurança

O câncer é a segunda principal causa de morte no mundo segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) – sendo que os tipos mais comuns são o câncer de mama, pulmão, próstata e estômago. Uma doença de enfrentamento difícil e que pede um cuidado e atenção de uma equipe multidisciplinar como enfermeiros e psicólogos, além da equipe médica. 

Para Tatiane Catleia Melo, enfermeira preceptora do setor de Oncologia do Hospital Paulistano, o tratamento de pacientes com câncer exige um cuidado individualizado da enfermagem, pois cada um tem sua peculiaridade. Há 5 anos na área, ela acredita que a capacitação e conhecimento técnico da enfermagem são fundamentais para uma assistência mais humanizada com pessoas que estão na luta contra o câncer.

“São pacientes que têm um entendimento profundo da doença e são críticos com os cuidados e protocolos propostos. Às vezes eles vêm ao hospital para medicação, mas às vezes querem apenas conversar, esclarecer dúvidas e dividir as aflições ou angústias. São indivíduos que carregam uma demanda emocional maior e, o embasamento técnico da equipe de enfermagem que atua na oncologia é capaz de oferecer um cuidado e assistência propriamente dita, ainda maior” conta Tatiane.

Segundo a enfermeira preceptora, o trabalho educativo nos setores da oncologia é importante para trazer os colaboradores ao universo real da doença. Para ela, a confiança do enfermeiro é fundamental para um tratamento com êxito. Em tempos de pandemia pelo novo Coronavírus, pacientes graves não puderam reduzir ou evitar o ambiente hospitalar devido às medicações e continuidade no tratamento – mas foi preciso mudar a rotina de atendimento e segurança desses pacientes.

“Adotamos algumas medidas para evitar a disseminação do vírus, como o isolamento empírico, redução de circulação de colaboradores no andar de pacientes internados. restrição do número de acompanhantes e uma força-tarefa para alinhar o agendamento de pacientes de rotina para uma única ida ao hospital, evitando a exposição desnecessária”, finaliza Tatiane.

Semana do Paciente: os cuidados extras da enfermagem na pediatria

A hospitalização infantil pode gerar desconforto e sofrimento às crianças por conta da distância do lar e rotina. Para os profissionais da enfermagem que atuam na pediatria, a atenção e o cuidado no tratamento de crianças é dobrado. Com o papel de orientar não só a criança, mas também os pais e/ou responsáveis, os enfermeiros precisam ainda ressaltar a importância da atuação dos familiares no tratamento dos pequenos.

Segundo a enfermeira especializada em pediatria Adriana Maria Lopes, o apoio familiar é fundamental para que o trabalho da enfermagem aconteça da melhor forma. Natural do Piauí, a enfermeira atua há 26 anos na pediatria e hoje lidera uma equipe de 11 enfermeiros e 23 técnicos no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro. Para ela, é preciso ter jogo de cintura ao tratar os mais novos. 

“O adulto expressa o que sente e evidencia as aflições; já a criança não sabe dizer o que sente e é preciso trazer a mãe ou adulto responsável ao ambiente para que ele possa falar mais sobre ela. A abordagem com os adolescentes e principalmente com os pré-escolares é feita de maneira lúdica para que eles entendam a importância da participação ativa para a continuação do tratamento”, conta a enfermeira. 

Embora o setor de Terapia Intensiva Pediátrica seja um local repleto de tecnologia e alta performance, a enfermeira acredita que é preciso transformar o ambiente ‘frio’ no mais acolhedor possível. “Usamos algumas estratégias para que os protocolos e procedimentos não tragam sofrimento nem à criança nem à família. Nosso papel é proporcionar um ambiente seguro aos pequenos e reforçar aos responsáveis que todas as decisões são em prol da recuperação do paciente. Quanto mais clara for a informação, melhor a receptividade e entendimento do adulto”, afirma Adriana.

O papel dos pais no cuidado dos pequenos

A carioca Hannah Almeida Rosenda, de 38 anos, reconhece a importância da atuação dos pais no tratamento dos pequenos. Sua filha mais velha Ana Clara, de 13 anos, nasceu com uma cardiopatia congênita e enfrentou três cirurgias cardíacas – a mais recente em junho deste ano, durante a pandemia do novo Coronavírus. Ciente do próprio papel de cuidado para a recuperação da filha, ela enaltece o trabalho educativo da enfermagem.

“Sou muito grata a todo o suporte e ajuda da enfermagem nesses anos de cuidado com a Ana. Acredito que o trabalho desses profissionais caminha junto com o dos pais, porque se não falarmos a mesma língua, a coisa não flui. Se eles nos orientam e repassam tudo com clareza, fazendo a gente entender o que é preciso pôr em prática, tem tudo para dar certo”, afirma Hannah.

Aos seis anos, a pequena Ana desenvolveu uma trombose durante a segunda cirurgia cardíaca e a enfermagem entrou em ação para orientar Hannah na continuidade do tratamento. “Eles me orientaram e ensinaram a aplicar uma injeção anticoagulante na minha filha para eu não depender de ninguém e seguir o tratamento. Essa orientação foi de suma importância para mim: me vi independente, forte, sabendo cuidar da minha filha com as próprias mãos. Só tenho a agradecer e reconhecer a importância da enfermagem em nossas vidas”, finaliza Hannah. 

Ana Clara Almeida de Sousa e sua mãe Hannah Almeida Rosendo

Semana do dia Mundial da Segurança do Paciente alerta para o autocuidado da enfermagem

A enfermagem sempre esteve à frente da gestão do cuidado e, desde a chegada da pandemia do Coronavírus, a necessidade de cuidar também da saúde dos profissionais do setor chamou a atenção. Com o cenário global crítico vivido nos últimos meses, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma campanha para que o Dia Mundial da Segurança do Paciente – comemorado no dia 17 de setembro – seja voltado à importância da segurança do trabalhador da saúde como uma prioridade para a segurança dos pacientes.

Com a enfermagem exposta diariamente à situações adversas, os equipamentos de proteção e biossegurança podem ser falhos quando não usados de forma adequada. Segundo a OMS, a adoção de estratégias, capacitação e treinamentos são pilares fundamentais para o cuidado desses profissionais da saúde.

Para a diretora de Práticas Assistenciais do Américas Serviços Médicos, do UnitedHealth Group Brasil, Virginia Maria Ceroni Paraizo, a segurança do paciente está interligada ao cuidado da equipe da enfermagem. 

“A função prioritária da enfermagem é o cuidado, mas o cuidado com qualidade e segurança. A consciência e gestão disso são os escopos de atuação desses profissionais. Eles existem para que a enfermagem vá além em sua ‘arte do cuidar’. É uma questão de ciência”, comenta a diretora do grupo Americas.

Para Virginia, datas comemorativas como a Semana da Segurança do Paciente geram discussões e tomada de consciência, o que sensibiliza e educa a todos. “As equipes de enfermagem precisam se dedicar ao autocuidado. Neste momento de crise global, existem protocolos muito importantes a serem seguidos, específicos para cada momento da jornada de trabalho e que são fundamentais para mitigar os riscos de contaminação e adoecimento de uma doença extremamente desafiadora que é a COVID-19”, diz Virginia.

A proposta da OMS para focar na segurança dos profissionais da saúde – entendendo que a segurança deles é a grande prioridade para segurança do paciente – é de grande valia, acredita a diretora. “O cuidado com a proteção se torna uma premissa na enfermagem. Se não zelarmos pelos nossos profissionais, eles não podem cuidar dos pacientes”, afirma ela.

Em tempos de COVID-19, a diretora alerta ainda para a preocupação com a saúde mental dos colaboradores. “Existe uma preocupação com a saúde mental desses profissionais e, para nós, é o maior desafio do momento. Alguns colaboradores se desesperam quando percebem que estão vivendo uma situação de muito risco e esse conflito carrega uma questão sensível e de apelo emocional”, conta Virginia.

Além da busca por equilíbrio, a diretora do Americas Serviços Médicos acredita que o reconhecimento e a valorização da profissão também são de grande valor. “O empoderamento da enfermagem é necessário para que cada vez mais ocupem o lugar na gestão do cuidado. Isso é fundamental para que a categoria siga firme na linha de frente”, finaliza Virginia. 

Setembro Vermelho: o papel da enfermagem na conscientização de doenças do coração

No dia 29 de setembro é celebrado o Dia Mundial do Coração, mas a comemoração tem duração o mês todo. Essa é a campanha Setembro Vermelho, que tem o objetivo de conscientizar e alertar sobre as doenças cardiovasculares, a principal causa de morte no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). No Brasil, mais de 289 mil brasileiros morreram de DCV em 2019 segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, enquanto 17,9 milhões são acometidos por essas doenças no mundo segundo dados da Federação Mundial do Coração (World Heart Federation). 

Com o objetivo de disseminar informações que visem educar a população para a adoção de hábitos saudáveis como a prática de atividade física, redução de consumo de alimentos gordurosos e a ingestão de açúcar e sal, o Setembro Vermelho destaca também o papel dos profissionais da saúde envolvidos no combate e prevenção de doenças do coração. 

Acontece que, além da medicina, a enfermagem é fundamental na luta pela saúde cardiológica. Segundo Carla Faria, enfermeira gestora da Unidade de Terapia Intensiva Cirúrgica do Hospital Pró-Cardíaco (RJ), uma equipe de enfermagem especializada em cardiologia tem capacidade e experiência para identificar precocemente sinais que levariam a uma parada cardíaca, por exemplo. 

“A enfermagem voltada para área de cardiologia é capaz de se antecipar a complicações e problemas graves que um paciente possa apresentar. O profissional capacitado tem habilidade e conhecimento para identificar degradação em um exame ou indicar alguma alteração precocemente. É uma área que exige aprimoramento constante de conhecimento e habilidades específicas que são determinantes na qualidade da assistência”, afirma a enfermeira gestora. 

Especializada em cardiologia, Carla está na enfermagem há 14 anos e acredita que o valor da profissão é imensurável. Aos 37, a carioca lidera uma equipe de 22 enfermeiros e 40 técnicos de enfermagem – e conta que o maior desafio da área está na capacitação de profissionais. “Manter a excelência do atendimento e no cuidado com pacientes de forma integrada à assistência da enfermagem é nossa grande missão”, conta ela. 

Carla acredita que a sociedade precisa entender e enxergar a importância e responsabilidade do papel da enfermagem – não só na cardiologia como em todas as áreas de atuação. “É um trabalho em conjunto o tempo todo. A enfermagem não funciona bem sem a medicina e vice versa. Sem o trabalho dos auxiliares, técnicos e enfermeiros não há sistema de saúde. ”, finaliza.